MC Ryan e outros 32 presos da Operação Narco Fluxo são enquadrados na Lei Antifacção

Magistrado acatou pedido da Polícia Federal; investigados são apontados como integrantes de organizações ultraviolentas, incluindo PCC e Comando Vermelho

Publicado em 6 de maio de 2026 às 21:39

(O processo corre em segredo de Justiça. Novos desdobramentos são aguardados para os próximos dias.)
(O processo corre em segredo de Justiça. Novos desdobramentos são aguardados para os próximos dias.) Crédito: Reprodução/Instagram

O juiz federal Roberto Lemos dos Santos Filho, titular da 5ª Vara Criminal Federal de Santos (SP), decidiu enquadrar o cantor e outros 32 presos na Operação Narco Fluxo sob a Lei Antifacção (Lei 12.850/2013), que tipifica a organização criminosa. A medida foi tomada a pedido da Polícia Federal (PF) e amplia as consequências penais para os investigados.

Na decisão, o magistrado acolheu o argumento da PF de que os alvos da operação são descritos como indivíduos envolvidos com "organizações criminosas ultraviolentas", incluindo as duas maiores facções do país: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). O enquadramento na Lei Antifacção permite penas mais severas, que variam de 3 a 8 anos de reclusão, além do agravamento de outros delitos conexos, como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

A Operação Narco Fluxo, deflagrada em fases anteriores, mirou uma rede de narcotráfico que utilizava artistas e influenciadores para dar aparência de legalidade a transações financeiras oriundas do crime. Segundo as investigações, o cantor preso – cujo nome não foi revelado pela Justiça – seria um dos elos entre o tráfico de varejo e a lavagem de dinheiro por meio de shows, eventos e exposição em redes sociais.

O juiz Roberto Lemos dos Santos Filho destacou em seu despacho que "a gravidade concreta das condutas, associada à estrutura hierarquizada e à violência característica das facções mencionadas, justifica a aplicação da Lei Antifacção para além do crime de tráfico". Ele também determinou a manutenção da prisão preventiva para todos os 33 investigados, sob o argumento de risco à ordem pública e à instrução processual.

Defensores do cantor e de parte dos presos já anunciaram que vão recorrer da decisão, alegando excesso de prazo e falta de provas diretas que liguem os artistas ao comando das facções. A defesa sustenta que muitos dos investigados seriam apenas prestadores de serviço eventual, sem vínculo orgânico com o PCC ou o Comando Vermelho.

A Polícia Federal, por sua vez, comemorou o enquadramento. Em nota, a PF afirmou que a decisão "representa um marco na repressão qualificada ao crime organizado, especialmente no litoral paulista, onde facções disputam rotas do tráfico de drogas e armas".

O processo corre em segredo de Justiça. Novos desdobramentos são aguardados para os próximos dias, incluindo a possibilidade de novas denúncias por lavagem de dinheiro e associação para o tráfico.