Médicos brasileiros separam gêmeas unidas pela cabeça após 40 horas de cirurgia

Irmãs nigerianas passaram por quatro cirurgias complexas em Abu Dhabi com o uso de inteligência artificial e realidade virtual.

Publicado em 21 de junho de 2026 às 09:19

Médicos brasileiros separam gêmeas unidas pela cabeça após 40 horas de cirurgia
Médicos brasileiros separam gêmeas unidas pela cabeça após 40 horas de cirurgia Crédito: Reprodução

Uma jornada médica extraordinária que uniu ciência, tecnologia e cooperação global devolveu a esperança e uma nova vida a uma família nigeriana. Duas irmãs gêmeas siamesas, que nasceram unidas pela cabeça compartilhando vasos sanguíneos e tecidos do cérebro uma condição raríssima chamada craniópago, receberam alta hospitalar definitiva e já estão em casa, na Nigéria. O processo de separação total aconteceu em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, por meio de uma maratona de quatro cirurgias delicadas realizadas ao longo de quatro meses, e contou com o protagonismo do renomado neurocirurgião pediátrico brasileiro Gabriel Mufarrej.

O sucesso desse marco da neurocirurgia pediátrica mundial só foi possível graças a uma imensa força-tarefa internacional que envolveu mais de 60 profissionais de saúde de 20 nacionalidades diferentes. Na linha de frente do centro cirúrgico, uma equipe principal de dez neurocirurgiões encarou mais de 40 horas de procedimentos de altíssima complexidade. O grupo contou com o talento de outras duas médicas brasileiras: a cirurgiã plástica Clarice Abreu e a anestesista pediátrica Mariana Tonon, que trabalharam em parceria com o neurocirurgião Arun Rajeswaran, responsável direto pelo monitoramento contínuo das pequenas pacientes de 19 meses.

Para garantir que os cortes e desligamentos fossem cirurgicamente perfeitos, a equipe médica transformou o hospital em um polo de inovação digital. Os especialistas utilizaram inteligência artificial, óculos de realidade virtual e aumentada, além de modelos tridimensionais idênticos aos crânios das meninas. Através dessas imagens computadorizadas de alta definição, os médicos conseguiram criar implantes personalizados e simular as operações diversas vezes antes de ligar o bisturi, reduzindo drasticamente os riscos de hemorragias ou sequelas graves nas funções cerebrais das crianças.

De volta ao lar após meses em observação pós-operatória, o caso das meninas entra para os anais da medicina como um exemplo de superação. Para Gabriel Mufarrej, a maior recompensa é ver as irmãs recuperadas e prontas para o futuro ao lado dos pais. O especialista brasileiro ressalta que o desfecho positivo prova como a troca de conhecimentos entre profissionais de países distintos pode quebrar barreiras na medicina, demonstrando que a cooperação internacional aliada à tecnologia é o caminho definitivo para salvar vidas em casos de extrema raridade.