Publicado em 21 de junho de 2026 às 10:22
A dor pela perda precoce de sete jovens atletas no interior do Ceará ecoou fortemente no Vaticano. Neste domingo (21), o papa Leão XIV usou o momento final da tradicional oração do Angelus, na Praça de São Pedro, para enviar uma mensagem de solidariedade e conforto ao povo brasileiro. Diante de milhares de fiéis, o Pontífice garantiu estar em profunda oração pelas vítimas do trágico acidente de ônibus ocorrido na madrugada da última segunda-feira (15), na rodovia CE-187, em Tauá. A manifestação religiosa traz um acalento internacional para as famílias e para a comunidade de Juazeiro do Norte, que ainda tenta assimilar a perda de promessas do esporte com idades entre 15 e 22 anos.>
A tragédia que comoveu o país aconteceu quando a delegação retornava de uma competição de basquete na cidade de Sobral. De acordo com os relatos do motorista à Polícia Civil, a viagem transcorria normalmente até o veículo ser surpreendido por um animal na pista. Ao tentar desviar puxando para o acostamento, o eixo traseiro do ônibus prendeu-se em uma estrutura na margem da via; ao tentar corrigir a rota e retornar ao asfalto, o veículo caiu em um buraco, o condutor perdeu o controle da direção e o ônibus tombou. O impacto foi devastador: das sete vítimas fatais, cinco foram arremessadas para fora das janelas e esmagadas pelo próprio veículo, enquanto duas morreram presas nas ferragens. Outras 31 pessoas ficaram feridas e precisaram de atendimento nos hospitais locais.>
No epicentro do caos, o treinador da equipe, professor Ricardo Lemos, que atua na área há duas décadas, transformou-se em herói ao usar a própria força física para estourar o vidro da cabine e criar uma rota de fuga. Mesmo machucado, ele e alguns atletas conseguiram retirar dezenas de sobreviventes em segurança antes de receberem o socorro médico. O luto paralisou a rotina de Juazeiro do Norte, onde as vítimas estudavam ou haviam se formado em sete instituições de ensino e no Instituto Federal do Ceará. Na última terça-feira (16), as aulas foram completamente suspensas na rede estadual de ensino para que a comunidade se despedisse dos jovens.>
A despedida final arrastou mais de cinco mil pessoas em um funeral coletivo repleto de aplausos, choro e homenagens comoventes. Seis dos corpos foram velados no Ginásio Poliesportivo da cidade, palco de tantos treinos dos garotos, onde um mural foi erguido para receber mensagens de carinho, enquanto a sétima vítima foi velada em uma funerária local. O governo estadual, por meio da Secretaria da Educação, montou uma força-tarefa com psicólogos e assistentes sociais para dar suporte emocional e conduzir um plano de acolhimento nas escolas nos próximos dias, buscando ajudar os estudantes a lidarem com a ausência dos colegas e transformarem o luto em memória afetiva.>