Milton Leite se entrega após ter prisão decretada em investigação do PCC

Ex-presidente da Câmara de São Paulo é investigado por suposta ligação com esquema envolvendo empresas de transporte coletivo.

Publicado em 18 de setembro de 2026 às 18:15

(Milton Leite chegou à Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) acompanhado de um advogado.)
(Milton Leite chegou à Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) acompanhado de um advogado.) Crédito: Lucas Bassi - Rede Câmara

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) se entregou à Polícia Civil na tarde desta sexta-feira (18), em uma delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Ele teve a prisão temporária decretada durante a Operação Vectura Corrupta, que investiga uma suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital paulista.

Milton Leite chegou à Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) acompanhado de um advogado. Pela manhã, policiais haviam realizado buscas em um endereço ligado a um ex-assessor do político, em Sorocaba. No imóvel, foram encontrados R$ 280 mil e US$ 89 mil em espécie, quantia equivalente a cerca de R$ 458 mil pela cotação informada na reportagem.

Ao todo, 16 pessoas foram alvo de mandados de prisão na operação. Segundo a Polícia Civil, há indícios de que Milton Leite teria participação no esquema investigado e exerceria influência sobre empresas de ônibus que estariam sob controle direto ou indireto da facção criminosa.

Investigação

As suspeitas contra o ex-vereador surgiram a partir da análise de mensagens trocadas por investigados. De acordo com a Polícia Civil, diálogos obtidos durante a investigação mencionam a necessidade de envolver Milton Leite em decisões relacionadas ao setor de transporte coletivo.

O Ministério Público de São Paulo aponta o político como possível articulador de decisões estratégicas envolvendo empresas do transporte público. A Transwolff, concessionária que opera linhas na capital, aparece entre as empresas investigadas.

A investigação também aponta que 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo de São Paulo estariam, em tese, sob controle direto ou indireto do PCC por meio de representantes ou pessoas utilizadas como intermediárias. As autoridades apuram ainda possíveis relações entre o esquema, contratos públicos e eventual lavagem de dinheiro.

Defesa

Milton Leite nega qualquer ligação com o PCC e também afirma não ser proprietário da Transwolff. Segundo o ex-vereador, sua atuação junto à SPTrans ocorreu a pedido do então prefeito Bruno Covas durante uma greve do transporte público, em 2019.

A investigação continua em andamento, e as suspeitas apontadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público ainda serão analisadas no decorrer do processo judicial.

Com informações do portal UOL