Entenda como recursos da Educação podem ter sido desviados para financiar campanha dos irmãos Coelho no Pará

Documento da PF detalha a denúncia sobre a movimentação de valores milionários por parte de Diana Coelho, para financiar a campanha dos filhos.

Publicado em 18 de setembro de 2026 às 16:28

Diana é responsável pela empresa LASTRO Projetos e Construção Civil Ltda., que possui contrato com a Secretária de Estado de Educação do Pará (Seduc). 
Diana é responsável pela empresa LASTRO Projetos e Construção Civil Ltda., que possui contrato com a Secretária de Estado de Educação do Pará (Seduc).  Crédito: Reprodução/ Instagram / PF

A origem dos R$ 2,5 milhões em espécie apreendidos em Belém, na última quarta-feira (16) segue sendo investigada pela Polícia Federal que agora tem na mira os irmãos e políticos, candidatos na eleição deste ano, João Colho e Adriano Coelho.

O Roma News teve acesso ao documento da PF que detalha a denúncia feita de forma anônima, informando a movimentação de valores milionários por parte de Diana Helena Albuquerque Coelho, para financiar a campanha dos filhos.

O imbróglio é que Diana é responsável pela empresa LASTRO Projetos e Construção Civil Ltda., que possui contrato com a Secretária de Estado de Educação do Pará (Seduc), o que aponta indícios de que a origem do valor apreendido após a denúncia, sejam recursos da Educação e que estariam sendo usados para financiamento irregular de campanha eleitoral, mais precisamente dos filhos de Diana, o candidato a deputado estadual João Coelho e o candidato a deputado federal Adriano Coelho.

Os R$ 2,5 milhões em espécie foram apreendidos após um saque feito em uma agência do Banpará, em Belém. Os valores estavam na posse de Joao Carlos Ruy Seco Gemaque e Rubens Lima Teixeira, que foram presos em flagrante. Rubens é policial civil aposentado e Carlos, funcionário da empresa J R Limpeza e Conservação Ltda. da qual João Coelho foi sócio até março de 2019, juntamente com a irmã Adryane Albuquerque Coelho.

O veículo blindado, onde os dois estavam com o dinheiro, estaria, segundo a PF, no nome do pai dos parlamentares, Marco Antônio de Sousa Coelho.

Contratos e recursos desviados

Segundo os elementos reunidos na apuração, os mais de R$ 2 milhões podem ter sido desviados de recursos públicos destinados à educação no Pará, através das empresas da família Coelho.

A empresa LASTRO Projetos e Construção Civil Ltda., administrada por Diana Helena Morais Albuquerque Coelho, mãe dos dois políticos, faturou R$ 27,3 milhões com a Seduc entre 2016 e 2026 em serviços de manutenção predial. Em 10 de setembro, seis dias antes da apreensão, a empresa recebeu R$ 4 milhões em recursos provenientes de precatórios do Fundef.

O pai dos parlamentares, Marco Antônio de Sousa Coelho, administra a MARCO COELHO Serviços Ltda., que acumulou R$ 144,2 milhões em pagamentos da Seduc entre 2015 e 2026 por contratos de prestação de serviços de portaria em escolas públicas. A investigação também aponta que Diana e Marco Antônio fizeram doações oficiais para campanhas de João Coelho nas eleições de 2020 e 2024.

Segundo os elementos reunidos na apuração, os mais de R$ 2 milhões podem ter sido desviados de recursos públicos destinados à educação no Pará, através das empresas da família Coelho.
Segundo os elementos reunidos na apuração, os mais de R$ 2 milhões podem ter sido desviados de recursos públicos destinados à educação no Pará, através das empresas da família Coelho. Crédito: Reprodução/ PF