Moraes revoga autorização e barra visita de assessor de Trump a Bolsonaro na prisão

Decisão ocorreu após manifestação do Itamaraty, que apontou possível ingerência estrangeira nos assuntos internos do Brasil em ano eleitoral.

Publicado em 12 de março de 2026 às 20:39

Ministro do STF, Alexandre de Moraes
Ministro do STF, Alexandre de Moraes Crédito: Rosinei Coutinho/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, reconsiderou decisão anterior e negou autorização para que Darren Beattie, assessor sênior do governo Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil, visite o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão.

A mudança ocorreu nesta quinta-feira (12), após manifestação do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty). O órgão diplomático alertou que o encontro poderia configurar "indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro", sobretudo em ano eleitoral.

Beattie, que está no Brasil para participar de um evento sobre terras raras e minerais críticos em São Paulo, havia solicitado a visita por meio da defesa de Bolsonaro no dia 10 de março. Inicialmente, Moraes autorizou o encontro para o dia 18 de março (quarta-feira), seguindo o calendário regular de visitas da Papudinha (Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília), onde Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses por condenação na ação penal da trama golpista.

A defesa recorreu pedindo alteração para 16 ou 17 de março, alegando conflito com a agenda do assessor americano. Diante do novo pedido, Moraes solicitou esclarecimentos ao Itamaraty sobre a agenda diplomática oficial de Beattie.

Em ofício assinado pelo ministro Mauro Vieira, o Itamaraty informou que a visita não constava na agenda diplomática apresentada para concessão do visto, que não houve comunicação prévia às autoridades brasileiras. Além disso, o encontro de um representante de governo estrangeiro com ex-presidente preso poderia ser interpretado como interferência indevida, especialmente no contexto eleitoral.

Na decisão revisada, Moraes destacou que "a realização da visita de Darren Beattie, requerida nestes autos pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive poderia ensejar a reanálise do visto concedido".

Beattie é figura próxima à família Bolsonaro, especialmente ao deputado Eduardo Bolsonaro, e já criticou publicamente Moraes e o atual governo brasileiro. A negativa reflete as tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos desde a posse de Trump, em meio ao processo contra o ex-presidente.

Com informações do portal G1