Publicado em 29 de junho de 2026 às 15:30
O Ministério Público Eleitoral estabeleceu um prazo de dez dias úteis para que as cúpulas de todos os partidos políticos informem quais medidas concretas estão sendo tomadas para evitar que criminosos, como membros de facções e milícias, entrem nas listas de candidatos para as eleições de 2026. Essa recomendação tem como objetivo principal fazer com que os próprios partidos identifiquem suspeitos com antecedência, responsabilizando as legendas caso ignorem sinais claros de ligação de seus filiados com o crime organizado.>
A preocupação do órgão aumentou após diversos problemas registrados nas eleições municipais de 2024. No Ceará, por exemplo, investigações apontaram que o Comando Vermelho interferiu na disputa na cidade de Santa Quitéria por meio de ameaças a eleitores e suspeita de compra de votos, o que resultou na cassação do prefeito e do vice. Já no Rio de Janeiro, candidatos em Belford Roxo tiveram seus registros negados por envolvimento com milícias, enquanto em São Paulo, órgãos de inteligência identificaram que dez vereadores e dois prefeitos foram eleitos sob suspeita de ligação com grupos criminosos.>
Para evitar que essas situações se repitam, o Ministério Público quer que os partidos parem de esperar pelo registro oficial da Justiça Eleitoral e passem a usar filtros rigorosos antes mesmo das convenções partidárias, que é o momento onde os nomes são escolhidos para a disputa. Entre as orientações dadas, os partidos devem passar a exigir certidões criminais completas de todos os pré-candidatos em várias instâncias, analisar se o patrimônio declarado é compatível com a vida financeira do filiado e criar comissões internas de ética para investigar casos suspeitos. Além disso, as legendas foram orientadas a impedir que qualquer pessoa com envolvimento conhecido com facções participe das reuniões de escolha de candidatos.>
A infiltração do crime organizado na política é vista pelas autoridades como um problema grave que vai muito além do financiamento ilegal de campanhas. O Ministério Público destaca que esses grupos tentam usar as candidaturas para garantir controle sobre territórios, pressionar o voto da população, influenciar contratos com a administração pública e ocupar espaços estratégicos dentro da estrutura do Estado. Caso percebam qualquer tentativa de financiamento proibido ou pressão de organizações criminosas sobre suas decisões, os partidos devem comunicar o fato imediatamente ao Ministério Público Eleitoral.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>