MPF denuncia policiais rodoviários por morte de adolescente de 14 anos no Complexo do Chapadão

Lorenzo Dias Palhinhas trabalhava como entregador e foi baleado na nuca em outubro de 2022.

Publicado em 14 de julho de 2026 às 11:59

MPF denuncia policiais rodoviários por morte de adolescente de 14 anos no Complexo do Chapadão
MPF denuncia policiais rodoviários por morte de adolescente de 14 anos no Complexo do Chapadão Crédito: Reprodução/PRF

Dois policiais rodoviários federais foram formalmente denunciados pelo Ministério Público Federal pelo homicídio qualificado de Lorenzo Dias Palhinhas, de 14 anos, e pela tentativa de homicídio de outro jovem. O caso aconteceu no Complexo do Chapadão, zona norte do Rio de Janeiro, em outubro de 2022, durante uma incursão policial que, segundo as investigações, foi realizada de forma totalmente irregular e sem planejamento.

A denúncia do órgão detalha que Lorenzo e seu colega de trabalho, ambos entregadores de uma lanchonete local, estavam em uma motocicleta voltando de um serviço quando passaram por uma primeira abordagem policial. Eles foram revistados e liberados para seguir viagem pelos próprios agentes.

Pouco tempo depois, ao entrarem em uma via estreita da comunidade, os adolescentes foram surpreendidos por tiros disparados pelas costas. O Ministério Público Federal destaca que não houve qualquer nova ordem de parada ou sinalização por parte dos policiais denunciados, muito menos confronto armado na região. Lorenzo acabou sendo atingido fatalmente na nuca, enquanto o outro jovem conseguiu escapar dos disparos sem ferimentos.

As perícias de balística confirmaram que os fragmentos de munição colhidos no local do crime eram compatíveis com o armamento utilizado pelos dois policiais federais que participavam da ação. Testemunhas e outros agentes que integravam a equipe confirmaram que a dupla abriu fogo contra os jovens, que estavam desarmados e sem qualquer chance de defesa na viela estreita.

A mobilização policial que resultou na morte do adolescente ocorreu poucas horas após o assassinato de Bruno Vanzan Nunes, também policial rodoviário federal, que havia sido vítima de um latrocínio. Cerca de vinte policiais se deslocaram até o Complexo do Chapadão com o objetivo de localizar os suspeitos da morte do colega de farda.

Contudo, a promotoria apontou que a operação foi executada de maneira totalmente informal, sem ordens de missão por escrito, relatórios prévios ou orientações técnicas. O Ministério Público Federal também ressaltou que a ação em uma área residencial urbana extrapolou as competências institucionais da Polícia Rodoviária Federal, que deve atuar prioritariamente em rodovias e estradas federais.

Em posicionamento oficial, a Polícia Rodoviária Federal declarou que mantém um processo de apuração interna ativo para analisar detalhadamente o comportamento e as responsabilidades dos agentes envolvidos no episódio. A instituição também informou que solicitou o acesso formal às investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal para dar andamento aos seus procedimentos administrativos.