MPF instaura inquérito contra influenciador do 'Café com teu pai' por suspeita de misoginia

Breno Vieira Faria, que também é policial rodoviário federal, é investigado por conteúdo discriminatório e possível irregularidade no exercício do cargo público

Publicado em 22 de abril de 2026 às 20:44

(O influenciador Breno Vieira Faria) 
(O influenciador Breno Vieira Faria)  Crédito: Reprodução/Instagram

O Ministério Público Federal instaurou inquérito civil para investigar o influenciador digital Breno Vieira Faria, dono do perfil "Café com teu pai", após denúncia que aponta produção de conteúdo misógino e possíveis irregularidades no exercício do cargo de policial rodoviário federal.

O caso tramita no Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial do MPF no Rio de Janeiro, que converteu a denúncia em inquérito civil. Além disso, o órgão instaurou um procedimento investigatório criminal e, segundo informações oficiais, diligências serão cumpridas para apuração do caso.

Denúncia foi protocolada por deputada estadual

A representação contra Breno foi protocolada em 8 de abril pela deputada estadual de São Paulo Ediane Maria (PSOL), com apoio da advogada Natália Boulos.

No documento, as autoras apontam que o influenciador publica conteúdos com "forte carga de estereotipação e desqualificação de mulheres". Entre os exemplos citados está um vídeo de grande alcance em que ele afirma que mulheres com múltiplos parceiros seriam "vagabundas", enquanto homens na mesma situação seriam valorizados.

Na mesma gravação, o influenciador recorre a uma analogia para sustentar o argumento: "uma chave que abre todas as fechaduras é uma chave mestra", enquanto "uma fechadura que abre por qualquer chave não presta pra nada”.

Atividade empresarial de policial é questionada

Outro ponto central da denúncia diz respeito à atuação de Breno como influenciador digital com fins lucrativos. Segundo a representação, ele comercializa cursos e produtos digitais voltados ao público feminino, prometendo "ensinar" mulheres a serem assumidas em relacionamentos, sem possuir formação técnica ou habilitação profissional compatível.

A Lei nº 8.112/1990 estabelece que servidores públicos federais não podem exercer gerência ou administração de empresas privadas, salvo exceções específicas. A denúncia aponta "indícios robustos" de que o policial participa diretamente da gestão de empresas de marketing digital, o que pode configurar violação ao regime de dedicação exclusiva da Polícia Rodoviária Federal.

As autoras do pedido solicitam ao MPF que requisite informações à PRF sobre a situação funcional do servidor, incluindo regime de trabalho e eventuais procedimentos disciplinares, além de adotar medidas cabíveis para responsabilização, que podem incluir exoneração do cargo público caso as irregularidades sejam confirmadas.

Perfil foi removido do Instagram

Na última sexta-feira (17), o perfil "Café com teu pai" foi removido do Instagram. A página, que tinha cerca de 1 milhão de seguidores, aparece agora como indisponível na plataforma.

A remoção ocorreu em meio a uma briga pública do influenciador com a cantora Anitta, que se manifestou contra o conteúdo do perfil. "Será que teremos café com Justiça?", questionou a artista em publicação.

O que diz o influenciador

Antes da queda do perfil, Breno publicou declarações nas quais afirmou que estariam querendo "calá-lo" porque seu "trabalho tira milhares de mulheres do plano sujo deles". Ele também criticou indiretamente a cantora Anitta e a apresentadora Maya Massafera, que haviam comentado a denúncia.

Em suas redes, o influenciador também exibiu prints de mensagens de seguidoras que, segundo ele, teriam sido pedidas em namoro após seguirem seus conselhos. "Denúncia grave: as filhas do pai estão namorando. O crime: amar demais", escreveu.

Contexto legislativo

A denúncia ocorre em um momento em que o Senado aprovou por unanimidade o Projeto de Lei 896/2023, que criminaliza a misoginia. O texto equipara o ódio às mulheres à Lei do Racismo, tornando crimes como injúria e incitação à violência inafiançáveis e imprescritíveis, com penas de 2 a 5 anos de reclusão. O projeto segue para análise da Câmara dos Deputados.

Com informações do portal Metrópoles