MPF processa candidato Renan Santos por discurso de ódio contra povos indígenas no Pará

Ação pede indenização de R$ 500 mil por danos morais coletivos e responsabilização do candidato e do Movimento Renovação Liberal.

Publicado em 18 de agosto de 2026 às 21:13

(O processo aponta suposto discurso de ódio contra 14 etnias indígenas da região do Baixo Tapajós, no Pará.)
(O processo aponta suposto discurso de ódio contra 14 etnias indígenas da região do Baixo Tapajós, no Pará.) Crédito: Reprodução/Partido Missão 

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou, na segunda-feira (17), uma ação na Justiça Federal contra o candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) e o Movimento Renovação Liberal, responsável pelo Movimento Brasil Livre (MBL). O processo aponta suposto discurso de ódio contra 14 etnias indígenas da região do Baixo Tapajós, no Pará.

Na ação, o MPF pede a responsabilização civil dos envolvidos e o pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos. Segundo o órgão, as acusações estão relacionadas a publicações feitas nas redes sociais de Renan durante protestos e a ocupação do terminal da empresa Cargill, em Santarém, em janeiro de 2026.

MPF aponta ataques contra comunidades indígenas

De acordo com o Ministério Público, vídeos publicados pelo candidato continham ofensas generalizadas contra povos indígenas da região. O órgão afirma que Renan utilizou expressões depreciativas e fez declarações questionando a atuação e a legitimidade das comunidades.

Ainda segundo o MPF, as manifestações não teriam se limitado a críticas relacionadas aos protestos. A acusação sustenta que o conteúdo teria atingido a identidade étnica e a dignidade coletiva dos povos indígenas, inclusive com referências a características físicas e questionamentos sobre a autenticidade de comunidades historicamente estabelecidas no Baixo Tapajós.

Para o Ministério Público, as declarações ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e justificam a responsabilização civil por supostos danos causados às comunidades indígenas.

Candidato contesta atuação do MPF

Durante o 11º Fórum CNT de Debates – Edição Presidenciáveis, realizado em Brasília, Renan Santos comentou a ação e afirmou que passou a ser alvo do MPF após publicar um vídeo sobre um protesto.

Segundo o candidato, a gravação fazia referência a pessoas que ele classificou como “supostos indígenas criminosos” e que, de acordo com sua versão, teriam bloqueado uma rodovia, provocando uma longa fila de caminhoneiros.

A manifestação apresentada por Renan ocorre em meio à disputa judicial sobre os limites das declarações feitas nas redes sociais e a eventual responsabilização por conteúdos direcionados a comunidades indígenas.

Processo ainda será analisado pela Justiça

A ação apresentada pelo MPF deverá ser analisada pela Justiça Federal, que decidirá sobre os pedidos formulados pelo órgão.

O processo envolve, além de Renan Santos, o Movimento Renovação Liberal. Eventuais responsabilidades deverão ser definidas ao longo da tramitação judicial, com direito à defesa e ao contraditório.

O caso coloca novamente no centro do debate eleitoral de 2026 a relação entre liberdade de expressão, discurso político e proteção dos direitos coletivos dos povos indígenas.

Com informações do portal Metrópoles