Publicado em 23 de junho de 2026 às 12:13
Uma resposta contundente da Justiça encerrou o capítulo judicial de um dos crimes mais chocantes do Maranhão. Na madrugada desta terça-feira (23), o Poder Judiciário condenou Jordélia Pereira Barbosa a uma pena de 66 anos de reclusão em regime fechado. Ela foi considerada culpada pelo envenenamento fatal dos irmãos Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos, além da tentativa de homicídio contra a mãe deles, Mírian Lira.>
O crime, ocorrido na cidade de Imperatriz em abril de 2025, foi executado por meio de chocolates contaminados com "chumbinho", um raticida ilegal altamente tóxico enviado às vítimas durante o período pascoal.>
A tragédia foi motivada por um sentimento doentio de ciúmes e vingança, já que Jordélia era ex-namorada do homem que, na época, era o atual companheiro de Mírian. Segundo a denúncia sustentada pelo promotor Tiago Quintanilha Nogueira, da 8ª Promotoria de Justiça de Imperatriz, o plano foi arquitetado de forma fria e premeditada. A acusada viajou de Santa Inês até Imperatriz, usou um nome falso para se hospedar em um hotel da região e contratou os serviços de um mototaxista para entregar os doces na residência da família.>
O pacote continha um bilhete escrito: “Com amor para Mirian Lira. Feliz Páscoa!!!”. Mírian chegou a ingerir o produto e passou dias internada em estado grave em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), conseguindo sobreviver graças ao socorro médico imediato, mas os dois filhos menores não resistiram à potência da substância.>
As investigações da Polícia Civil desmontaram qualquer tese de inocência. Quando foi capturada em Santa Inês, Jordélia guardava em suas bolsas térmicas perucas usadas no disfarce, passagens de ônibus e vestígios de chocolate. Diante do júri na 3ª Vara Criminal de Imperatriz, os jurados acataram as qualificadoras de motivo torpe, uso de veneno, dissimulação e o agravante das vítimas fatais terem menos de 14 anos de idade.>
Embora a ré tenha admitido o envio dos chocolates, ela alegou que terceiros teriam colocado o veneno, uma versão considerada completamente sem fundamento e descartada pelos magistrados após laudos atestarem que ela goza de plena saúde mental e responde por seus atos.>
Além de fixar o cumprimento imediato da pena em regime fechado e manter a prisão preventiva de Jordélia sem o direito de recorrer da sentença em liberdade, o juiz estabeleceu reparações financeiras severas para tentar mitigar a dor da família. A criminosa terá de pagar uma indenização mínima por danos morais no valor de 100 salários mínimos destinada exclusivamente para Mírian.>
Adicionalmente, a mãe e o pai dos dois meninos falecidos deverão receber, juntos, o equivalente a outros 400 salários mínimos como compensação pelo sofrimento irreparável causado pela perda dos filhos>