Publicado em 8 de abril de 2026 às 21:30
Um novo fenômeno nas redes sociais está preocupando autoridades policiais, psicólogos e líderes religiosos: as chamadas “novelas de frutas” ou “novelinhas das frutas”, vídeos curtos produzidos com inteligência artificial que misturam estética infantil com enredos de traição, relacionamentos tóxicos e conteúdo sensual.>
Os vídeos, que fazem parte da tendência conhecida como Brainrot Italiano, mostram frutas antropomorfizadas, como “Moranguete”, “Bananinha”, “Melancia” e “Uva”, com nomes em italiano, olhos expressivos e movimentos exagerados. O que começa parecendo conteúdo leve e engraçado rapidamente evolui para tramas adultas, com cenas de adultério (como uma fruta “traindo” o parceiro na academia), poses provocantes, roupas mínimas e hipersexualização.>
O delegado Mavignier alertou que esse tipo de produção representa risco real para o público infantil. “Parece inocente: frutinhas coloridas com nomes engraçados. Mas muitas estão sendo sexualizadas, com movimentos sensuais e poses provocantes que não combinam com conteúdo para crianças”, explicou.>
Segundo ele, o perigo está no fato de o algoritmo das plataformas (principalmente TikTok e YouTube Shorts) empurrar esses vídeos cada vez mais para crianças, normalizando desde cedo a erotização do corpo. “O que começa como meme pode moldar a visão de sexualidade de forma precoce e distorcida”, ressaltou.>
O delegado orientou os pais a monitorarem rigorosamente o que os filhos assistem: “Limitem as telas, conversem com as crianças e denunciem conteúdos inadequados nas plataformas. Não deixem as frutinhas do Brainrot Italiano sexualizar a infância dos nossos filhos”.>
Críticas religiosas>
O conteúdo também gerou forte reação no meio religioso. O pastor Ednaldo do Manto, de Belford Roxo (RJ), viralizou ao classificar as novelas como “satânicas”. “Isso vem para inverter os valores, para quebrar princípios. Não é normal. O que você normaliza hoje te paralisa amanhã”, afirmou.>
O religioso criticou especialmente os enredos que mostram traição, relacionamentos tóxicos e violência, afirmando que os jovens estão ficando viciados nesse tipo de entretenimento. Em vídeo, ele leu um trecho da Bíblia e disse que “o inferno mudou a estratégia” e agora usa o entretenimento para destruir vidas.>
Fenômeno e riscos>
Especialistas apontam que o apelo visual “fofo” e colorido burla os filtros de proteção das plataformas, que identificam apenas a aparência infantil, enquanto o roteiro carrega temas adultos como adultério, abandono e misoginia. O conteúdo se espalha rapidamente em português, inglês e espanhol, alcançando milhões de visualizações.>
A tendência surge no momento em que o Brasil discute a implementação do ECA Digital, que busca aumentar a responsabilidade das plataformas digitais na proteção de crianças e adolescentes.>
Até o momento, não há informação de investigações formais abertas, mas autoridades indicam que o volume e a natureza do material podem levar a apurações sobre exposição de menores a conteúdo impróprio.>
Pais e responsáveis têm sido orientados a ativar controles parentais e a dialogar com as crianças sobre o que veem nas redes.>
Com informações do portal Metrópoles>