Publicado em 16 de junho de 2026 às 17:59
Nesta terça-feira (16), a Polícia Federal tornou público um relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) que detalha novas apurações do Caso Master. Segundo os investigadores, Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como "Sicário", ameaçou divulgar documentos que, segundo ela, poderiam "acabar com a família" do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A PF afirma que integrantes da organização investigada tentaram negociar e conter a divulgação das informações.>
O documento, que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, reúne mensagens interceptadas pela Polícia Federal após a prisão e a morte de Luiz Phillipi Mourão. Apontado como braço direito de Daniel Vorcaro, Sicário foi preso em março deste ano durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. De acordo com a investigação, ele exercia funções ligadas ao monitoramento de alvos, obtenção ilegal de dados e ações de intimidação. Após a prisão, ele morreu, e a perícia concluiu que a causa foi suicídio.>
Segundo a PF, após a morte de Sicário, a família dele passou a enfrentar dificuldades financeiras. As investigações apontam que Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como "Manolo" e apontado como aliado próximo da família Vorcaro, teria atuado para prestar auxílio financeiro à mãe e à irmã de Mourão.>
Em mensagens analisadas pela polícia, Joana relata preocupação com dívidas e afirma estar desesperada diante de compromissos financeiros. Em uma das conversas, interlocutores ligados ao grupo discutem formas de lidar com a situação e demonstram preocupação com possíveis reações dela.>
A Polícia Federal afirma que, diante das ameaças de divulgação de documentos, Manolo organizou uma reunião presencial com Joana e sua mãe, Denise Mourão, no fim de abril. Mensagens obtidas pela investigação indicam que o encontro teve como objetivo discutir soluções financeiras envolvendo ativos relacionados à família.>
Mesmo após a reunião, segundo a PF, Joana continuou afirmando que pretendia tornar públicas informações que comprometeriam integrantes da família Vorcaro. Em uma das mensagens interceptadas, ela menciona a intenção de levar o material para programas de televisão e cita diretamente Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro.>
Dias depois, Joana voltou a procurar Manolo para saber sobre a formalização de um contrato. De acordo com a investigação, a conversa estaria relacionada à sua participação societária em uma empresa com capital social registrado em R$ 1 milhão. Os investigadores afirmam que ainda não há confirmação sobre a assinatura do documento.>
A PF apura se as movimentações financeiras identificadas podem estar ligadas a uma possível lavagem de dinheiro. A suspeita investigada é de que recursos atribuídos a atividades criminosas praticadas por Sicário estariam sendo destinados à mãe e à irmã dele. Até o momento, não há conclusão definitiva sobre essa hipótese.>
Procurada, a defesa de Henrique Vorcaro informou não ter tido acesso ao relatório. Em nota, afirmou que eventual cobrança mencionada pela investigação estaria relacionada a créditos que Luiz Phillipi Mourão teria direito em razão de relações comerciais já apresentadas ao relator do inquérito.>
As informações fazem parte da sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em maio deste ano. Entre os alvos da ação estava Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, preso por suspeita de participação em ações de intimidação atribuídas a grupos investigados pela Polícia Federal.>
A operação também resultou na prisão do policial federal Anderson Wander da Silva Lima. Segundo os investigadores, ele teria acessado sistemas sigilosos e repassado informações sobre passaportes, viagens internacionais e movimentações migratórias de pessoas monitoradas pela organização.>
De acordo com a PF, os dados eram utilizados para acompanhar adversários e proteger interesses do grupo investigado. As apurações também apontam suspeitas de tentativas de destruição de provas após fases anteriores da operação.>