PM diz que coronel preso tentou beijá-la à força: 'Nunca aceitei'

O relato foi feito ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) e descreve episódios ocorridos no ano passado, quando a agente era subordinada ao oficial

Publicado em 24 de março de 2026 às 18:02

O relato foi feito ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) e descreve episódios ocorridos no ano passado, quando a agente era subordinada ao oficial.
O relato foi feito ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) e descreve episódios ocorridos no ano passado, quando a agente era subordinada ao oficial. Crédito: Reprodução

Uma segunda policial militar denunciou ter sido vítima de assédio sexual por parte do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, preso sob suspeita de matar a esposa, Gisele Alves Santana, de 32. O relato foi feito ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) e descreve episódios ocorridos no ano passado, quando a agente era subordinada ao oficial.

De acordo com o depoimento, o tenente-coronel se aproveitava da posição hierárquica para tentar beijá-la à força e fazer investidas de cunho sexual. A policial, que teve a identidade preservada, afirmou que era constantemente perseguida e que o superior criava situações para ficarem a sós.

Em um dos trechos, ela relata que o oficial sugeria encontros em sua sala, garantindo que poderia fechar a porta para evitar que outras pessoas soubessem o que aconteceria no local. “Ele dizia que eu poderia ir até lá sem qualquer entrave”, contou.

Ainda segundo a denúncia, o coronel fazia perguntas insistentes sobre a rotina da policial fora do trabalho e tentava marcar encontros. A agente afirmou que sempre recusava, destacando que mantinha um “casamento sólido” e que priorizava o tempo com o marido.

Após sucessivas recusas, a policial afirma ter sofrido retaliação. Segundo ela, o tenente-coronel determinou sua transferência para uma unidade mais distante de sua residência. “Tenho certeza de que isso aconteceu porque não quis me relacionar com ele. Foi uma espécie de vingança”, declarou.

Por medo de represálias, a vítima solicitou ao Ministério Público a preservação de seus dados pessoais.

Procurada, a defesa de Geraldo Leite Rosa Neto, representada pelo advogado Eugenio Malavasi, afirmou que rejeita a acusação e a classificou como desprovida de elementos consistentes, destacando o intervalo de tempo entre os fatos e a denúncia.

Além desse caso, o oficial já foi alvo de outras três denúncias. Conforme registros do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), a Justiça reconheceu que condutas atribuídas a ele em 2022, quando ainda era major, configuraram abuso de autoridade no contexto de conflitos internos na corporação.

Entre os episódios analisados está a transferência de quatro policiais militares mulheres durante uma preleção administrativa, medida que, segundo os autos, teria sido usada como forma de punição após desentendimentos dentro do batalhão.

Com informações do Metrópoles