Professor aprovado por cotas raciais perde cargo após decisão judicial na UFPE

Docente de 31 anos afirma que soube da anulação da nomeação durante o expediente; disputa envolve regras para distribuição de vagas reservadas em concursos públicos.

Publicado em 14 de agosto de 2026 às 22:16

(A decisão judicial foi proferida em 28 de julho. Com a determinação, a candidata que havia concorrido pela ampla concorrência conseguiu invalidar a aprovação de Allison e assumir o cargo.)
(A decisão judicial foi proferida em 28 de julho. Com a determinação, a candidata que havia concorrido pela ampla concorrência conseguiu invalidar a aprovação de Allison e assumir o cargo.) Crédito: Reprodução - Instagram

O professor paraibano Allison Ruan, de 31 anos, teve a nomeação para um cargo de docente da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) anulada após uma decisão judicial. A medida ocorreu depois que uma candidata aprovada na modalidade de ampla concorrência ingressou na Justiça para questionar a destinação da vaga ao sistema de cotas raciais.

Allison havia sido aprovado por meio das cotas e chegou a trabalhar durante todo o primeiro semestre de 2026 no Departamento de Engenharia Química da universidade. Segundo ele, a notícia sobre a anulação da nomeação veio de forma inesperada, enquanto estava no próprio local de trabalho.

“Eu estava trabalhando na universidade; ninguém me avisou. Fiquei sabendo junto com todo mundo, quando saiu a decisão no Diário Oficial. Fiquei desnorteado, juntei minhas coisas e fui para casa”, relatou.

A decisão judicial foi proferida em 28 de julho. Com a determinação, a candidata que havia concorrido pela ampla concorrência conseguiu invalidar a aprovação de Allison e assumir o cargo.

Discussão sobre cotas

A defesa da candidata argumentou no processo que a vaga destinada ao Departamento de Engenharia Química não deveria ser preenchida por meio da reserva para candidatos cotistas.

O caso reacende uma discussão que envolve concursos para universidades federais: a forma de contabilização e distribuição das vagas destinadas às políticas de cotas. Divergências sobre a aplicação dessas regras já provocaram disputas judiciais envolvendo a contratação de professores negros em instituições federais.

Em nota, a UFPE afirmou que a anulação da nomeação não partiu de uma decisão administrativa da universidade, mas ocorreu em cumprimento a uma determinação do Poder Judiciário.

Com a perda do cargo, Allison afirma que ficou desempregado pela primeira vez. O episódio também voltou a colocar em debate a segurança jurídica dos candidatos aprovados em concursos públicos por meio das políticas de ações afirmativas e os critérios utilizados pelas instituições para distribuir as vagas reservadas.

Com informações do portal g1