Quem era Kongjian Yu, arquiteto que morreu no acidente aéreo no Mato Grosso do Sul

O arquiteto Kongjian Yu e os cineastas Luiz Ferraz e Rubens Crispim foram para o Pantanal gravar o documentário intitulado "Planeta Esponja"

Publicado em 24 de setembro de 2025 às 11:43

(Professor da Universidade de Pequim, arquiteto paisagista e urbanista chinês Kongiian Yu)
(Professor da Universidade de Pequim, arquiteto paisagista e urbanista chinês Kongiian Yu) Crédito: Professor da Universidade de Pequim, arquiteto paisagista e urbanista chinês Kongiian Yu

Entre as vítimas que morreram no acidente aéreo que ocorreu nessa terça-feira (23), no Pantanal de Mato Grosso do Sul, está o arquiteto chinês Kongjian Yu. Ele é reconhecido mundialmente pelo seu renomado trabalho na arquitetura.

Yu é famoso por propor soluções inovadoras em planejamento urbano sustentável. O arquiteto elaborou o conceito “cidades-esponja”, adotado como política nacional na China em 2013. A ideia é usar da infraestrutura verde para criar áreas alagáveis como lagos e parques, além de instalar pavimentos permeáveis, de forma a depender menos dos sistemas de drenagem tradicionais.

A alternativa, que nasceu na China, é uma solução para às inundações, a ideia é adaptar a arquitetura paisagística para que consigam absorver as águas das enchentes e, consequentemente, direcioná-las para rios e oceanos.

Conforme o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), o uso da vegetação nativa com solo permeável, reduz o uso de concreto para canalizar fluxos d’água e criar áreas onde a água possa escoar naturalmente, evitando inundações nas estruturas urbanas. O CAU destaca que, além de resolver o problema das enchentes, o método de construção criado pelo arquiteto também forma "paisagens urbanas arborizadas e com cursos d’água controlados, estabelecendo novos pontos de convivência e de turismo nas cidades em que é implementado".

Kongjian Yu visitava o Brasil para uma agenda da arquitetura: a Conferência Internacional CAU 2025, evento que aconteceu entre os dias 4 e 6 deste mês, em Brasília. Durante a Conferência, o arquiteto defendeu que sua criação é baseada em uma prática milenar, que lidava com ciclos anuais de cheias e secas naturais.

Kongjian defendia que seu conceito poderia ser adotado no Brasil, principalmente nas grandes metrópoles como Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre e usar modelos de construções sustentáveis. “Vejo o Brasil como a última esperança para salvar o planeta”, afirmou Yu durante a conferência.

Após a agenda em Brasília, o arquiteto Kongjian Yu e os cineastas Luiz Ferraz e Rubens Crispim foram para o Pantanal gravar o documentário intitulado "Planeta Esponja".