Publicado em 4 de março de 2026 às 21:27
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, morreu na noite desta quarta-feira (4), após atentar contra a própria vida enquanto estava sob custódia da Polícia Federal (PF), em Belo Horizonte (MG). Ele era um dos principais alvos da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias, lavagem de dinheiro, corrupção e obstrução de justiça no âmbito do Banco Master e do banqueiro Daniel Vorcaro.>
Preso preventivamente pela manhã, Mourão era apontado pela PF e pelo ministro André Mendonça (STF) como coordenador do núcleo de vigilância e intimidação conhecido como “A Turma”. Ele tentou o suicídio na Superintendência Regional da corporação em Minas Gerais. Policiais federais prestaram socorro imediato, iniciaram reanimação cardiopulmonar e acionaram o SAMU. Ele foi encaminhado ao Hospital João XXIII, onde foi internado na UTI e entrou em protocolo de morte encefálica, sendo confirmada a morte horas depois.>
A PF informou oficialmente que se tratou de suicídio e abriu procedimento interno para apurar as circunstâncias, com envio de imagens da cela ao gabinete de Mendonça. A defesa de Vorcaro e familiares de Mourão não se manifestaram imediatamente sobre o episódio.>
Perfil de “Sicário”>
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, de 43 anos, era descrito nas investigações como o “executor” das ordens mais operacionais do grupo. Segundo investigação do STF, ele recebia cerca de R$ 1 milhão por mês para coordenar:>
Monitoramento e acompanhamento de adversários, jornalistas e críticos de Vorcaro;
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• Obtenção de informações sigilosas, incluindo acessos indevidos a sistemas da PF, Ministério Público Federal, Interpol e FBI;>
• Planejamento de intimidações, agressões físicas e morais, e “neutralização” de ameaças percebidas ao grupo econômico.>
O apelido “Sicário”, termo de origem latina (sicarius, “homem da adaga”), que designa assassino de aluguel, aparecia explicitamente em mensagens interceptadas no celular de Vorcaro, refletindo seu papel como braço armado e de inteligência clandestina da organização.>
Mourão já tinha extensa ficha criminal em Minas Gerais, com antecedentes e indiciamentos por estelionato, receptação, furto qualificado (incluindo veículos), associação criminosa, crimes cibernéticos, ameaças e delitos de trânsito. Desde 2021, respondia como réu por organização criminosa e lavagem de dinheiro em esquema de pirâmide financeira que movimentou cerca de R$ 28 milhões entre 2018 e 2021. Antes de se vincular a Vorcaro, atuava como agiota, segundo o Ministério Público de Minas Gerais.>
Contexto da operação>
A prisão de “Sicário” ocorreu na mesma leva que recapturou Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, seu cunhado Fabiano Zettel e outros investigados. A operação mira supostas fraudes na venda de títulos de crédito falsos, coação a servidores do Banco Central e manutenção de uma estrutura paralela de vigilância e intimidação para proteger interesses do banqueiro.>
A defesa de Vorcaro nega as acusações de formação de milícia privada e afirma que o empresário colabora com as autoridades. O caso segue sob sigilo parcial no STF, com Mendonça como relator.>
A morte de Mourão sob custódia gerou repercussão imediata na imprensa e redes sociais, com questionamentos sobre as condições de detenção, embora não haja indícios oficiais de crime externo divulgados até o momento. A PF lamentou o ocorrido em nota oficial.>