Servidor de cemitério em Minas é denunciado por cobrar R$ 500 via Pix para realizar enterro

Ministério Público acusa zelador de Senhora dos Remédios de exigir pagamento indevido de família enlutada por serviço que já é custeado pela prefeitura local.

Publicado em 29 de julho de 2026 às 15:24

Município mineiro não cobra nenhuma taxa pelo serviço funerário, uma vez que a atividade já integra as funções remuneradas do zelador pelo próprio órgão público.
Município mineiro não cobra nenhuma taxa pelo serviço funerário, uma vez que a atividade já integra as funções remuneradas do zelador pelo próprio órgão público. Crédito: Reprodução/Google Maps

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresentou uma denúncia contra um servidor público da prefeitura de Senhora dos Remédios, na região do Campo das Vertentes, por exigir o pagamento de R$ 500 para realizar um sepultamento no cemitério municipal. O investigado, que exerce o cargo efetivo de zelador, teria solicitado o valor aos familiares da vítima durante os preparativos do enterro em janeiro deste ano. Acreditando tratar-se de uma taxa oficial da administração pública, a família efetuou a transferência bancária diretamente para o servidor via Pix.

A irregularidade foi confirmada após a constatação de que o município mineiro não cobra nenhuma taxa pelo serviço funerário, uma vez que a atividade já integra as funções remuneradas do zelador pelo próprio órgão público. O promotor de Justiça Vinicius de Souza Chaves, responsável pelo caso, ressaltou que as provas indicam que o servidor se aproveitou de sua posição oficial para obter vantagem econômica em um momento de profunda fragilidade dos familiares. Diante dos fatos, o órgão sustenta que houve enriquecimento ilícito por meio da exigência de vantagem indevida.

Na esfera criminal, o zelador foi denunciado pelo crime de corrupção passiva, conforme previsto no Código Penal. Além disso, o MPMG ajuizou uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa, solicitando à Justiça o afastamento cautelar do funcionário para preservar a moralidade da administração pública e evitar que a conduta se repita. As ações buscam a responsabilização completa do servidor tanto na área cível quanto na criminal, visando garantir que atos de desonestidade no serviço público sejam devidamente punidos.

Entre as sanções solicitadas pelo Ministério Público estão a perda da função pública, a suspensão dos direitos políticos e a proibição de firmar contratos com o poder público ou receber benefícios estatais por um período determinado pela Justiça.

A ação também requer que o denunciado seja condenado ao pagamento de uma multa civil, à devolução dos R$ 500 recebidos ilegalmente e ao pagamento de uma indenização por danos morais à família lesada. Até o momento, as fontes disponíveis não trazem informações sobre o posicionamento da defesa do servidor no processo.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.