‘Soberania do Brasil é inegociável’, afirma Lula sob clima de tensão com EUA e Argentina

Presidente rebate tarifas impostas por Washington e ofensas de Javier Milei; governo brasileiro barrou vistos de oficiais americanos e convocou embaixador para consultas.

Publicado em 27 de julho de 2026 às 14:17

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com CEO e Diretor Executivo da Stellantis, Antonio Filosa, no Palácio do Planalto, Brasília - DF.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com CEO e Diretor Executivo da Stellantis, Antonio Filosa, no Palácio do Planalto, Brasília - DF. Crédito: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta segunda-feira (27) que a soberania do país não está aberta a negociações. A afirmação surge em um cenário de instabilidade nas relações com os Estados Unidos e de crise diplomática com a Argentina, sendo um dos pilares que o petista pretende explorar em sua campanha à reeleição em 2026.

A relação com o governo de Donald Trump sofreu um abalo após a decisão de Washington de aplicar tarifas extras sobre produtos brasileiros, com taxas que variam de 12,5% a 37,5%. Em resposta, Lula publicou um artigo no jornal The Washington Post intitulado “Recado a Trump”, sustentando que o Brasil não será vencido por mentiras.

A crise se estendeu à área consular: o Brasil negou vistos a Riley M. Barnes e Samuel D. Samson, oficiais do Departamento de Estado norte-americano. Segundo o governo dos EUA, eles pretendiam discutir "integridade eleitoral" com a sociedade civil e líderes religiosos, mas a missão foi barrada por Brasília.

No cenário regional, a tensão escalou com a Argentina após a visita de Javier Mileiao Brasil. Durante um evento partidário, o presidente argentino chamou Lula de “ladrão” e “presidiário”, além de proferir ofensas contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes.

O Itamaraty classificou o episódio como "infamante" e destacou que não há precedentes de um presidente estrangeiro agredir o Chefe de Estado brasileiro em território nacional. Como consequência, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos em Brasília nesta segunda-feira.

Integrantes do Palácio do Planalto apontam que a defesa da soberania nacional, aliada a temas sociais, será central na estratégia de Lula para as próximas eleições. Dados de pesquisas recentes indicam que o atual presidente lidera as intenções de voto no primeiro turno.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.