Publicado em 16 de junho de 2026 às 17:31
Nesta terça-feira (16), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo, em ação relacionada às investigações sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A maioria dos ministros acompanhou o voto do relator, Alexandre de Moraes, que apontou a existência de provas de que o ex-deputado atuou para tentar influenciar o julgamento que envolve seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.>
Além de Moraes, votaram pela condenação os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. Segundo a acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo Bolsonaro promoveu ações junto ao governo dos Estados Unidos com o objetivo de criar um ambiente de pressão sobre integrantes do STF e impedir uma eventual condenação do ex-presidente no processo da chamada trama golpista.>
No voto, Alexandre de Moraes afirmou que as condutas atribuídas ao ex-deputado não estavam protegidas pela imunidade parlamentar nem pela liberdade de expressão. Para o ministro, não cabe a um parlamentar brasileiro atuar no exterior para pressionar instituições nacionais ou buscar interferência em decisões da Justiça.>
Moraes também destacou que Eduardo Bolsonaro declarou permanecer nos Estados Unidos por receio de responder judicialmente pelos atos investigados. Segundo o relator, o processo reúne elementos suficientes para demonstrar uma tentativa de constranger magistrados e influenciar o andamento da ação penal.>
Cristiano Zanin acompanhou integralmente o entendimento do relator e afirmou que as manifestações públicas e publicações feitas por Eduardo Bolsonaro ao longo de 2025 evidenciam a prática do crime de coação no curso do processo. Cármen Lúcia também votou pela condenação e afirmou que houve uma sequência de atos que, na avaliação dela, configuram uma tentativa de pressionar os julgadores.>
A Procuradoria-Geral da República sustentou que Eduardo Bolsonaro buscou impedir a responsabilização criminal de Jair Bolsonaro por meio de articulações políticas e declarações públicas realizadas nos Estados Unidos. Segundo a acusação, mensagens trocadas entre pai e filho, além de entrevistas e publicações em redes sociais, demonstrariam esforços para constranger integrantes do Judiciário brasileiro.>
Para a PGR, as provas reunidas ao longo da investigação indicam que o objetivo das ações era colocar interesses familiares acima do regular funcionamento da Justiça e do devido processo legal.>
A defesa foi realizada pelo defensor público Esdras dos Santos Carvalho, já que Eduardo Bolsonaro não indicou advogado particular para o caso. A Defensoria Pública da União pediu a absolvição por entender que não há provas suficientes para sustentar a condenação.>
Os defensores também argumentaram que as manifestações atribuídas ao ex-deputado estavam protegidas pelo direito à liberdade de expressão e tinham natureza política. Além disso, sustentaram que Eduardo Bolsonaro não possuía poder para determinar ou influenciar decisões soberanas do governo dos Estados Unidos.>
A defesa ainda questionou aspectos processuais do julgamento e alegou que houve limitações para o pleno exercício do direito de defesa durante a tramitação da ação.>