Viúva de funcionário que morreu na montagem de palco para show de Shakira diz que equipe mentiu

Gabriel de Jesus Firmino, de 28 anos, morreu prensado entre elevadores durante a preparação para o show da cantora Shakira. Família afirma ter descoberto o óbito pelas redes sociais.

Publicado em 27 de abril de 2026 às 18:13

(Larissa Alves acusou a empresa de omissão e de ter mentido sobre as circunstâncias da morte do marido.)
(Larissa Alves acusou a empresa de omissão e de ter mentido sobre as circunstâncias da morte do marido.) Crédito: Reprodução - Redes Sociais

A esposa do serralheiro Gabriel de Jesus Firmino, de 28 anos, que morreu no domingo (26), durante a montagem do palco para o show de Shakira na Praia de Copacabana, fez um emocionado desabafo nesta segunda-feira. Larissa Alves acusou a empresa de omissão e de ter mentido sobre as circunstâncias da morte do marido.

Gabriel trabalhava para a empresa MG Coutinho Serviços Cenográficos (Cenoart) e atuava como técnico em segurança do trabalho. Ele foi imprensado entre dois elevadores enquanto instalava equipamentos na estrutura do palco, que receberá a cantora colombiana no próximo sábado, dia 2 de maio.

De acordo com o boletim de ocorrência, o acidente ocorreu por volta das 15h20. Colegas de trabalho usaram ferramentas hidráulicas para retirá-lo da estrutura. A brigada de incêndio e o Corpo de Bombeiros prestaram os primeiros socorros, e ele foi encaminhado ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu aos graves ferimentos, principalmente esmagamento nos membros inferiores.

Desabafo da família

Em entrevista ao programa Balanço Geral (Record), Larissa Alves contou que tentou falar com o marido várias vezes durante a tarde para tratar da saúde dos filhos, mas ele não atendeu mais as ligações. “Não me respondia mais. Não me dava notícia, não soube de nada”, disse, emocionada.

Ela relatou que ficou horas sem qualquer informação oficial e só soube do acidente pelas redes sociais. “Eu tive que correr atrás pra saber, não me avisaram. Foram muitas horas sem notícia, fiquei até as 21h esperando, ninguém me falava nada. E ainda mentiram, falaram que foi acidente de moto, e não foi”, desabafou aos prantos.

Larissa destacou o perfil do marido: “Ele era muito experiente, inteligente, sabia de tudo. Trabalhava há muito tempo nessa área e nessa empresa estava há três ou quatro anos”.

Gabriel morava em Magé, na Baixada Fluminense, e era pai de família.

Investigação

O caso está sendo apurado pela 12ª Delegacia de Polícia de Copacabana, como lesão corporal culposa seguida de morte (acidente de trabalho). Uma perícia preliminar foi realizada no local ainda no domingo. Nesta segunda-feira (27), a Polícia Civil fez uma nova perícia na estrutura.

De acordo com informações da investigação, um dos elevadores foi acionado a cerca de 25 metros de distância, enquanto Gabriel estava dentro ou próximo a outro. A polícia não descarta a possibilidade de mudar a tipificação para homicídio culposo caso fique comprovada negligência, imprudência ou imperícia por parte da empresa ou responsáveis pela montagem.

A montagem do palco foi temporariamente suspensa após o acidente, mas foi retomada após a liberação da perícia.

Posicionamento das empresas

A organizadora do evento, Bônus Track, lamentou o ocorrido em nota e informou que está prestando todo o apoio necessário à família da vítima. Até o momento, a MG Coutinho Serviços Cenográficos não se manifestou publicamente sobre o caso.

O show de Shakira em Copacabana, que faz parte da programação do projeto “Todo Mundo no Rio”, segue confirmado para o dia 2 de maio.

A tragédia reacendeu o debate sobre as condições de segurança em montagens de grandes eventos, especialmente em estruturas complexas e com prazos apertados na orla carioca.

Com informações do portal Metrópoles