Publicado em 16 de outubro de 2026 às 20:36
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria oferecido R$ 1 milhão ao gestor de crise Guilherme Barros para tentar impedir ou adiar a publicação de uma reportagem sobre ele na Folha de S.Paulo. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles, que afirma ter obtido mensagens trocadas entre os dois em agosto de 2024.>
Nas conversas, Vorcaro teria prometido a recompensa caso Barros conseguisse evitar a divulgação do conteúdo. Em mensagem enviada em 7 de agosto daquele ano, o banqueiro demonstrou preocupação com os possíveis impactos da publicação sobre a instituição financeira e afirmou que a divulgação naquele momento poderia comprometer a sobrevivência do banco.>
No dia seguinte, Barros informou a Vorcaro que a publicação seria adiada, afirmando que havia recebido uma resposta de Sérgio Dávila, então diretor de redação da Folha de S.Paulo. O diálogo indica uma tentativa de interferência no calendário editorial do jornal, embora a extensão da atuação de cada envolvido precise ser considerada à luz de todas as informações disponíveis.>
Segundo o relato, a reportagem foi publicada apenas em 30 de agosto de 2024, 22 dias após as conversas. O texto recebeu o título “Novato na Faria Lima, banqueiro de 40 anos chama a atenção para aquisição em séries e festa com Alok”.>
Negociação ocorreu em momento decisivo para o Banco Master>
As mensagens teriam sido trocadas em um período importante para o futuro do Banco Master. Em 8 de agosto de 2024, o Banco Central homologou um aumento de capital do Banco de Brasília (BRB), operação que posteriormente abriu caminho para a aquisição de mais de R$ 16 bilhões em carteiras de crédito do Master pelo banco público.>
Na avaliação atribuída a Vorcaro nas mensagens, a publicação de informações negativas poderia prejudicar as negociações e agravar a situação financeira da instituição.>
Ainda naquele mês, o Banco Master concluiu a compra do Will Bank. Vorcaro também atuou politicamente em torno de uma proposta conhecida como “emenda Master”, apresentada em 13 de agosto de 2024, que pretendia elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).>