Abusos tinham padrão repetido, afirma desembargadora sobre caso Bruno Mafra

A defesa de Bruno Mafra, representada pelo escritório Filipe Silveira, afirmou em nota que o caso ainda não chegou ao fim e que pretende recorrer às instâncias superiores

Publicado em 27 de março de 2026 às 18:54

O cantor Bruno Mafra, da Banda Bruno e Trio, foi condenado pela Justiça do Pará há 30 anos de prisão pelo crime.
O cantor Bruno Mafra, da Banda Bruno e Trio, foi condenado pela Justiça do Pará há 30 anos de prisão pelo crime. Crédito: Reprodução/Redes Sociais

A 1ª Turma de Direito Penal do Tribunal de Justiça do Pará manteve, na quinta-feira (26/3), a condenação do cantor paraense Bruno Mafra, conhecido no tecnobrega pela banda Bruno e Trio, por estupro de vulnerável contra as duas filhas. Durante a sessão, a desembargadora Rosi Maria Gomes de Farias afirmou que o réu agia com um “verdadeiro modus operandi” nos abusos relatados pelas vítimas. A pena de 30 anos, 4 meses e 24 dias de reclusão em regime inicial fechado permanece válida, embora ainda caiba recurso.

Segundo a relatora, o processo reúne provas “amplas e consistentes” apontando para a autoria e a materialidade dos crimes. Os depoimentos das vítimas — descritos pela magistrada como firmes, detalhados e sem contradições — indicam que os episódios ocorreram em locais controlados pelo acusado e seguiam um padrão: situações de isolamento, pedidos para manter segredo, manipulação emocional, exibição de conteúdo pornográfico e atos libidinosos, incluindo sexo oral. As denúncias só foram formalizadas anos depois, em 2019, quando as filhas já estavam adultas. De acordo com o Ministério Público, os abusos aconteceram entre 2007 e 2011, em Belém, quando ambas tinham menos de 14 anos.

A defesa de Bruno Mafra, representada pelo escritório Filipe Silveira, afirmou em nota que o caso ainda não chegou ao fim e que pretende recorrer às instâncias superiores. Os advogados alegam violações ao devido processo legal que, segundo eles, podem comprometer a validade das decisões já proferidas. A defesa também levantou preocupação com a divulgação de informações relativas a um processo que corre sob sigilo. O caso segue em tramitação na Justiça.