Após denúncia do Roma News, população se revolta com possível liberação da orla pela prefeitura de Belém à Leal Moreira

Revelação sobre cessão de área preservada e restrição do acesso ao rio gera onda de protestos contra impacto ambiental e cobranças à gestão municipal.

Publicado em 9 de agosto de 2026 às 14:00

Terreno que será utilizado pela construtora - 
Terreno que será utilizado pela construtora -  Crédito: Redes sociais

A repercussão de uma denúncia veiculada pelo Roma News provocou indignação entre os moradores de Belém. A matéria revelou negociações entre a Prefeitura de Belém e a construtora Leal Moreira para a liberação de empreendimentos imobiliários em áreas ambientalmente preservadas na orla da capital paraense.

A possibilidade de edificação na faixa litorânea do município reacendeu o debate sobre o uso do espaço público, a especulação imobiliária e as consequências ambientais do adensamento urbano sem planejamento adequado na Amazônia.

Muro de prédios e bloqueio da brisa do rio preocupam moradores

A principal preocupação manifestada pelos belenenses diz respeito à perda definitiva de acesso visual e físico ao rio, além do agravamento das ilhas de calor na cidade. A construção de grandes edifícios na orla cria uma barreira física que impede a circulação de ventos vindos das águas, alterando o microclima local em uma região conhecida pelas altas temperaturas.

Nas redes sociais, populares manifestaram repúdio à medida:

"Tem que tirar os prédios da frente do rio, isso sim, e fazer um calçadão com muitas árvores e plantas pra ventilar a cidade que está um forno. Absurdo isso”, desabafou uma internauta.

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Outros moradores apontaram a contradição entre a realização de grandes eventos climáticos na cidade e as decisões de gestão urbana que comprometem a qualidade de vida local.

"Sempre a mesma palhaçada! E Belém vai virando uma ilha de calor com esses prédios barrando todo o vento! E a COP? Não serviu de nada mesmo! É tudo sobre o dinheiro, @igornormando ?", questionou outro usuário, direcionando a cobrança ao prefeito Igor Normando (PSDB).

Saneamento básico precário e privatização do espaço público

Além da questão climática, internautas destacaram a contradição de investir em empreendimentos de alto padrão enquanto a cidade enfrenta índices alarmantes de cobertura sanitária. Atualmente, Belém possui um dos piores indicadores de saneamento básico entre as capitais brasileiras, atendendo a menos de 20% da população com rede adequada de esgoto.

Um dos comentários criticou o direcionamento dos recursos e o uso do espaço público:

“Mais uma barreira para ventilação e para ver a orla, que já é em grande parte tomada pelas docas. Belém deveria ter uma praia, mas não querem gastar com limpeza do entorno. A praia seria para todos, prédios são para os donos. Enquanto isso, manda o povão pra Mosqueiro, que vira um inferno em feriados e férias."

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O mesmo internauta levantou questionamentos sobre o destino dos dejetos gerados pelas novas estruturas:

“Sem falar que Belém tem uma das piores coberturas de saneamento básico do Brasil, menos de vergonhosos 20%! Pra onde vai o esgoto concentrado de cada prédio? Ninguém liga. Sujem os rios, os oceanos que se virem."

Cobrança por intervenção do Ministério Público

Diante dos desdobramentos da denúncia e do risco de alienação de áreas de preservação ambiental, moradores cobram medidas urgentes de órgãos de fiscalização e controle, como o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA).

Uma internauta ressaltou o impacto político e exigiu respostas do poder público:

“É sr Prefeito @igornormando, se isso é verdade, não terás meu voto no futuro! Espero que o @mppaoficial faça alguma coisa tempestivamente. Não queremos virar Manaus. Um calor infernal para quem não mora próximo à orla."

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Até o fechamento desta reportagem, a população aguarda posicionamentos oficiais detalhados da Prefeitura de Belém e da construtora Leal Moreira a respeito do licenciamento ambiental e dos termos de liberação das áreas citadas.