Publicado em 16 de setembro de 2026 às 17:18
O Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus), vinculado ao Ministério da Saúde, abriu uma auditoria para avaliar a rede pública de saúde de Ananindeua, que acumula denúncias relacionadas à falta de médicos, medicamentos e insumos, além de dificuldades para garantir atendimentos pelo Sus.>
Segundo o órgão federal, a fiscalização identificou irregularidades no Hospital Municipal de Ananindeua e na UPA Icuí Daniel Berg, encontrando leitos de UTI ociosos enquanto pacientes em estado grave aguardavam por vagas.>
Também foram identificadas deficiências em itens básicos de higiene, como sabonete e álcool 70%. A auditoria vai verificar ainda a aplicação de recursos federais, a regulação de leitos e possíveis divergências entre as informações oficiais e as condições encontradas durante a fiscalização.>
As reclamações, no entanto, não se limitam às duas unidades fiscalizadas pelo governo federal. Em maio de 2025, familiares de um idoso com suspeita de AVC denunciaram falta de estrutura na UPA da Cidade Nova. Segundo a família, foi necessário levar ao local colchão, lençóis, fraldas, medicamentos e alimentos para o paciente. Na UPA Carlos Marighella, no bairro do Aurá, moradores também relataram falta de médicos e medicamentos.>
Ainda em maio de 2025, outro problema envolveu o atendimento de pacientes renais. Pacientes e representantes de clínicas de hemodiálise protestaram contra supostos atrasos superiores a 12 meses nos repasses feitos pela Prefeitura às unidades contratadas. O caso foi encaminhado ao Ministério Público.>
As dificuldades também atingiram a rede conveniada ao SUS. Em janeiro de 2025, o Hospital Anita Gerosa encerrou o atendimento de maternidade pelo sistema público. Profissionais afirmaram que a unidade realizava cerca de 250 partos por mês.>
No ano anterior, em 2024, o Hospital das Clínicas de Ananindeua também suspendeu temporariamente atendimentos pelo SUS. Segundo a direção, a medida ocorreu após cinco meses sem o recebimento de repasses municipais.>
Paralelamente às denúncias sobre a prestação dos serviços, o Ministério Público investiga suspeitas relacionadas ao Hospital Santa Maria, incluindo possíveis irregularidades nos valores pagos pelo Iasep entre 2018 e 2022.>
Em um dos casos citados no procedimento, uma agulha descartável teria sido faturada por R$ 18,10, enquanto o valor de referência indicado seria de R$ 0,35. O hospital nega as acusações.>
A auditoria do Denasus deverá esclarecer parte dessas questões, especialmente em relação à aplicação dos recursos federais, à regulação de leitos e ao funcionamento das unidades fiscalizadas.>