Publicado em 10 de maio de 2026 às 10:21
Celebrado neste domingo (10), o Dia das Mães vai muito além das homenagens, flores e reuniões em família. A data, uma das mais importantes do calendário afetivo e comercial brasileiro, nasceu há mais de um século nos Estados Unidos e carrega uma história marcada por luto, ativismo social e reconhecimento do papel materno na sociedade. Hoje, no entanto, também serve como um momento de reflexão sobre a realidade de milhões de mulheres que criam os filhos sozinhas no Brasil, muitas delas enfrentando jornadas exaustivas, desigualdade salarial e dificuldades para garantir sustento e cuidado.
>
A origem moderna do Dia das Mães remonta ao início do século XX, nos Estados Unidos. A ativista Anna Jarvis criou a celebração em homenagem à mãe, Ann Jarvis, conhecida pelo trabalho social desenvolvido com mulheres e famílias durante a Guerra Civil Americana. Após a morte da mãe, em 1905, Anna iniciou uma campanha para que a maternidade fosse reconhecida oficialmente. Em 1914, o então presidente norte-americano Woodrow Wilson oficializou o segundo domingo de maio como o Dia das Mães no país.>
No Brasil, a primeira celebração ocorreu em 1918, em Porto Alegre, mas a data só foi oficializada em 1932, por meio de um decreto do então presidente Getúlio Vargas. O documento estabeleceu o segundo domingo de maio como momento de homenagem ao amor materno e à importância das mães na formação da sociedade.>
Curiosamente, a própria Anna Jarvis passou a criticar a transformação da data em um grande evento comercial. A idealizadora defendia um dia voltado ao afeto e à valorização das mães, sem o forte apelo ao consumo que se consolidou ao longo das décadas.>
A realidade das mães solo>
Mais de cem anos após a criação da data, o cenário da maternidade no Brasil revela desafios profundos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), milhões de lares brasileiros são chefiados exclusivamente por mulheres, muitas delas mães solo que acumulam responsabilidades financeiras, emocionais e domésticas sem rede de apoio fixa.>
Levantamentos do IBGE mostram que mulheres seguem recebendo salários menores do que os homens e dedicando mais horas aos cuidados da casa e dos filhos. Essa desigualdade impacta diretamente as mães solo, que frequentemente enfrentam dupla ou até tripla jornada para manter a família.>
No Pará, conforme dados divulgados pelo último Censo do IBGE, a realidade acompanha o cenário nacional. O estado possui grande número de famílias chefiadas por mulheres, principalmente nas periferias urbanas e em municípios do interior. Em muitos casos, elas sustentam os filhos sozinhas enquanto conciliam trabalho informal, deslocamentos longos e dificuldades de acesso a creches e serviços públicos.>
Especialistas apontam que o crescimento das famílias monoparentais femininas no Brasil está ligado a fatores sociais, econômicos e culturais. Apesar do avanço na independência financeira feminina, ainda há forte desigualdade na divisão da responsabilidade parental. O resultado é um cotidiano marcado por sobrecarga física e emocional para milhões de mulheres.>
Muito além das homenagens>
Embora o Dia das Mães seja tradicionalmente associado a comemorações e presentes, a data também provoca discussões sobre maternidade real, ausência paterna, desigualdade social e políticas públicas voltadas às mulheres.>
Para muitas mães brasileiras, especialmente as solo, o maior presente ainda está longe das vitrines: estabilidade financeira, acesso à educação, segurança e tempo de qualidade com os filhos.>
Mais do que uma celebração afetiva, o Dia das Mães acaba se tornando um retrato das transformações da família brasileira e da força de mulheres que sustentam, educam e cuidam, muitas vezes sozinhas, de seus lares todos os dias.>