Passageiros de cruzeiro com surto de hantavírus desembarcam nas Ilhas Canárias

Navio MV Hondius transportava mais de 140 pessoas e registrou ao menos três mortes; autoridades de saúde monitoram passageiros e reforçam que risco de transmissão em massa é considerado baixo.

Publicado em 10 de maio de 2026 às 10:10

Navio de cruzeiro MV Hondius, que registrou casos de hantavírus.
Navio de cruzeiro MV Hondius, que registrou casos de hantavírus. Crédito: Pippa Low/Divulgação

O cruzeiro MV Hondius, que enfrenta um surto de hantavírus a bordo, chegou neste domingo (10) às Ilhas Canárias, na Espanha, após dias de monitoramento e uma operação internacional coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e autoridades sanitárias europeias.

A embarcação transportava cerca de 147 pessoas e já registrou ao menos três mortes ligadas ao surto, além de vários casos suspeitos e confirmados da doença. Segundo a OMS, a variante identificada é a Andes, considerada a única cepa conhecida de hantavírus com possibilidade de transmissão entre humanos, embora isso ocorra de forma rara e geralmente em situações de contato muito próximo.

O navio havia partido de Ushuaia, na Argentina, e ficou isolado por vários dias próximo a Cabo Verde antes de receber autorização para seguir até Tenerife, nas Canárias. A chegada foi cercada por protocolos rígidos de segurança, com triagem médica, rastreamento de sintomas e repatriação gradual dos passageiros assintomáticos.

As autoridades espanholas classificaram a operação como inédita e reforçaram que não há risco relevante para a população local, já que o desembarque foi planejado com isolamento e controle sanitário rigoroso. Parte dos passageiros será encaminhada para quarentena e acompanhamento médico, enquanto outros retornarão aos seus países de origem.

Especialistas explicam que o hantavírus costuma ser transmitido principalmente pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. Apesar da alta letalidade em alguns casos, a capacidade de transmissão entre pessoas é muito menor do que a observada em doenças como a Covid-19, o que reduz o risco de uma disseminação em larga escala.

O caso ganhou repercussão internacional e segue sendo acompanhado por órgãos de saúde de diversos países, especialmente pelo fato de passageiros de diferentes nacionalidades já terem desembarcado antes da confirmação do surto.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Danielle Zuquim.