Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 12:41
As frutas regionais comercializadas nas feiras livres de Belém fecharam o ano de 2025 com aumentos expressivos de preços, superando em mais que o dobro a inflação oficial do período. O dado consta em balanço divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (DIEESE/PA), que analisou a variação dos valores ao longo do ano, apesar do recuo observado em dezembro.>
Segundo o levantamento, no comparativo entre novembro e dezembro de 2025, houve queda generalizada nos preços das frutas regionais. Esse movimento está associado ao início do chamado “inverno amazônico”, período chuvoso em que ocorre a safra da maioria dessas frutas, entre os meses de dezembro e maio, o que amplia a oferta no mercado local.>
Entre os produtos pesquisados, o cupuaçu liderou a redução mensal, com queda de 32,63%, seguido pelo biribá (-31,40%), sapotilha (-21,01%), graviola (-14,63%), pupunha (-7,41%) e bacuri (-6,72%). O DIEESE/PA destaca ainda que outras frutas importantes, como piquiá, taperebá e castanha-do-pará, seguem a mesma dinâmica sazonal, com maior disponibilidade no primeiro semestre. Já o açaí apresenta comportamento distinto, com pico de safra concentrado no segundo semestre.>
Apesar do alívio nos preços no último mês do ano, o balanço acumulado de janeiro a dezembro de 2025 mostra um cenário de forte encarecimento. De acordo com o DIEESE/PA, todas as frutas analisadas registraram altas superiores a 100%, percentuais muito acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou o ano em 4,26%.>
As maiores altas acumuladas foram observadas no biribá, que registrou aumento de 187,27%, seguido do cupuaçu (170,91%), bacuri (163,85%), pupunha (159,07%), sapotilha (154,46%) e graviola (144,13%). A comparação entre janeiro e dezembro evidencia que, no início do ano — período de maior oferta —, os preços estavam significativamente mais baixos.>
O DIEESE/PA aponta que fatores como a redução da oferta no segundo semestre, período de entressafra para a maioria das frutas regionais, além do aumento da demanda, contribuíram para a elevação dos preços. Entre os fatores extraordinários, o órgão destaca a realização da COP30 em Belém, que ampliou significativamente o consumo na capital, pressionando a oferta devido à demanda de restaurantes, hotéis, buffets, eventos oficiais e feiras gastronômicas.>
Diante desse cenário, o estudo reforça a importância do fortalecimento da produção regional, especialmente da agricultura familiar, responsável pela maior parte do abastecimento das frutas regionais no Pará. Segundo o DIEESE/PA, investimentos em assistência técnica, crédito, logística, armazenamento e escoamento da produção são fundamentais para garantir oferta regular, preços mais estáveis e promover o desenvolvimento econômico sustentável no meio rural, além de ampliar a inserção dos produtos amazônicos em mercados nacionais e internacionais.>