Publicado em 24 de junho de 2026 às 16:01
A morte de um homem de 54 anos após duas passagens pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Terra Firme, em Belém, tem gerado questionamentos da família sobre o atendimento recebido e a rápida evolução do quadro clínico. O caso ocorreu no último dia 17 de junho e agora aguarda esclarecimentos por meio de uma necropsia solicitada pelos familiares.>
Segundo relato da esposa da vítima, que terá a identidade preservada, os primeiros sintomas surgiram durante a madrugada, quando ele começou a sentir fortes dores na perna e passou a apresentar dificuldades para caminhar. Na manhã seguinte, o casal procurou a UPA da Terra Firme em busca de atendimento.>
De acordo com a família, a principal queixa apresentada à equipe médica era a dor intensa na perna, que já dificultava a locomoção. Após passar por avaliação, ele foi encaminhado para atendimento com um traumatologista. Na unidade, recebeu medicações para aliviar os sintomas e foi orientado a procurar uma unidade de saúde para realizar exames relacionados à coluna, diante da suspeita de um problema no nervo ciático.>
Após o atendimento, o paciente recebeu alta e retornou para casa. No entanto, poucas horas depois, o quadro mudou. Segundo a esposa, além do retorno das dores, ele passou a apresentar febre e falta de ar. A combinação dos sintomas chamou a atenção da família, que decidiu retornar imediatamente à unidade de saúde.>
“Eu fiquei meio encucada porque estava dando febre nele. E febre é causa de alguma infecção, né?”, relatou a esposa da vítima.>
Quadro se agravou durante retorno à unidade>
No fim da tarde, o casal voltou à UPA da Terra Firme. A esposa conta que, enquanto realizava o cadastro para o atendimento, percebeu que o estado de saúde do marido havia piorado rapidamente.>
“Quando eu estava fazendo o cadastro e olhei para ele, ele já estava com a boca um pouco espumando”, afirmou.>
Diante da situação, ela passou a pedir ajuda à equipe da unidade. Segundo o relato, o paciente foi encaminhado para a triagem e, em seguida, levado para a sala vermelha, setor destinado aos casos considerados mais graves.>
A familiar relata que o agravamento foi perceptível em poucos minutos. Segundo ela, as mãos do marido já apresentavam alteração na coloração enquanto ele aguardava atendimento. Cerca de 15 a 20 minutos depois, um médico informou que o estado clínico era delicado e que a saturação de oxigênio estava muito baixa. A equipe então solicitou autorização da família para realizar a intubação.>
Após o procedimento, os familiares receberam a informação de que ele permaneceria internado em observação. A orientação foi que retornassem para casa e aguardassem novas informações.>
Segundo a esposa, o intervalo entre a saída da unidade e a notícia da morte foi curto.>
Ela relata que havia acabado de chegar em casa quando recebeu uma ligação informando o falecimento do marido e pedindo o retorno de familiares à unidade.>
“Só deu tempo de eu chegar em casa. Acho que uns 30 minutos depois ligaram dizendo que ele tinha falecido”, contou.>
A rapidez com que o quadro evoluiu após o primeiro atendimento é um dos pontos que mais causam dúvidas na família.>
Negligência>
Ainda segundo a esposa da vítima, ela diz que o desfecho poderia ter sido diferente caso o marido tivesse recebido uma avaliação mais aprofundada já na primeira passagem pela UPA. Segundo ela, apesar de ele relatar insistentemente a forte dor na perna, que atribuía ao nervo ciático, o quadro teria sido tratado sem uma investigação mais detalhada. Para a familiar, se naquele momento ele tivesse sido submetido a exames mais completos ou encaminhado para uma unidade com maior estrutura diagnóstica, a causa do problema poderia ter sido identificada antes do agravamento.>
“Na primeira vez, ele falou várias vezes da dor que estava sentindo, mas não deram muita atenção. Mandaram ele para casa e só na segunda vez é que o caso recebeu um atendimento maior, quando ele já estava muito pior”, afirmou.>
Abalada, ela relata que ainda tenta lidar com a perda do companheiro e diz que sente uma grande falta dele. “Estou muito triste. A gente fica sem entender o que aconteceu tão rápido. Infelizmente, depois disso, fica difícil confiar nesses atendimentos de pronto atendimento”, desabafou.>
Família aguarda resultado da necropsia>
Outra questão levantada pelos familiares diz respeito à causa da morte. Segundo a esposa, durante o atendimento foram mencionados possíveis problemas relacionados aos pulmões e aos rins, mas a família afirma que não recebeu uma explicação definitiva sobre o que levou ao óbito.>
“A gente teve que pedir a necropsia para saber qual foi o motivo mesmo da morte dele”, disse.>
Os familiares também questionam se os sintomas apresentados durante o primeiro atendimento poderiam indicar um quadro mais complexo do que o inicialmente identificado.>
O resultado da necropsia deverá apontar com mais precisão as circunstâncias que levaram ao falecimento.>
O que aponta o atestado de óbito>
O atestado de óbito registra como causa imediata da morte um choque cardiogênico. O documento também aponta infarto agudo do miocárdio, hipertrofia do ventrículo esquerdo e hipertensão arterial sistêmica entre as condições associadas ao quadro clínico.>
Apesar das informações registradas no documento, os familiares afirmam que aguardam o resultado dos exames complementares para compreender o que aconteceu desde o primeiro atendimento até o momento da morte.>
A reportagem do Roma News solicitou posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) sobre o caso e aguarda retorno.>