Publicado em 27 de agosto de 2025 às 12:25
Apesar dos avanços no estado do Pará, o escalpelamento continua gerando vítimas, principalmente entre as comunidades ribeirinhas. Sendo um acidente grave que provoca o arrancamento brusco do couro cabeludo, o problema atinge uma grande parcela de mulheres e exige políticas de prevenção e apoio socioeconômico. Por conta disso, nesta quinta-feira (28), a Organização de Ribeirinhos Vítimas de Acidente de Motor (ORVAM) promove em Belém, com apoio da Praticagem Barra do Pará, uma programação especial em referência ao Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento.>
Alessandra Almeida, representante da ORVAM, destaca a relevância de um dia para ampliação do debate sobre a vida das vítimas após o escalpelamento. “Quando ouvimos essas mulheres, são relatos de muita dor e lutas diárias. Há relatos de abandono por parte dos maridos e palavras ofensivas de familiares e pessoas da comunidade que vive no entorno. Muitas vítimas não conseguem o tratamento onde residem e precisam usar o próprio dinheiro para tratamentos, remédios, consultas, dentre outras necessidades”, explica. >
Segundo dados da nota técnica “Menina, mulher e ribeirinha da Amazônia paraense e o acidente em embarcações com escalpelamento”, da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), os estados do Pará, Amapá e Amazonas são os que registram esse tipo de acidente. Com uma extensão de milhões de km de rios, igarapés e furos, as embarcações são o principal meio de transporte de milhares de amazônidas.>
Como empresa que apoia as ações de prevenção e combate ao escalpelamento, a Barra do Pará reafirma seu compromisso com a segurança da navegação e com a valorização da vida nas comunidades ribeirinhas. Alinhada às orientações da Marinha do Brasil e da Capitania dos Portos, a praticagem atua de forma complementar no apoio a ações educativas, preventivas e de conscientização.>
“Prevenir o escalpelamento é garantir dignidade às comunidades ribeirinhas. A Barra do Pará apoia as ações da ORVAM, assim como de outras instituições que atuam nessa causa, contribuindo para iniciativas de acolhimento às vítimas e de conscientização. Nosso compromisso é contribuir para uma navegação mais segura e digna para todos”, afirma Jorge Barbeito, Superintendente da Barra do Pará.>
Durante o evento, será realizada uma roda de conversa com a escritora Regina Rozin, que apresentará o livro “Na Curva do Rio”. Parte da renda das vendas da obra será destinada à compra de materiais para a confecção de perucas, um dos projetos mais importantes da ORVAM para a recuperação da autoestima das mulheres vítimas de escalpelamento. Haverá também a entrega de perucas para mulheres atendidas pela instituição, momento de beleza com a consultoria da Mary Kay, apresentação das novas parcerias institucionais e coffee break de confraternização.>
Além do acompanhamento médico e dos projetos de apoio, a ORVAM busca promover o empoderamento das mulheres vítimas de escalpelamento, fortalecendo sua autonomia e autoestima. Por meio de oficinas de capacitação, cursos de empreendedorismo e espaços de escuta e acolhimento, a instituição incentiva que cada mulher retome o controle de sua vida, desenvolva habilidades próprias e se sinta valorizada na sociedade.>
Esse enfoque não apenas contribui para a recuperação emocional, mas também cria oportunidades para que elas se tornem protagonistas de suas histórias, transformando dor em resistência e esperança.>