Relatório inédito revela impactos financeiros causados pelas mudanças climáticas

Documento reúne riscos para o negócio, estratégias de adaptação e metas de redução de emissões; ingredientes amazônicos somaram R$ 584,2 milhões em receita líquida em 2025

Publicado em 15 de outubro de 2026 às 14:51

Documento reúne riscos para o negócio, estratégias de adaptação e metas de redução de emissões; ingredientes amazônicos somaram R$ 584,2 milhões em receita líquida em 2025
Documento reúne riscos para o negócio, estratégias de adaptação e metas de redução de emissões; ingredientes amazônicos somaram R$ 584,2 milhões em receita líquida em 2025 Crédito: Divulgação 

A Natura divulgou seu primeiro Relatório de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade, com dados sobre como os riscos climáticos e socioambientais podem afetar as operações, os custos e os resultados financeiros da companhia. O documento reúne informações referentes a 2025 e foi elaborado com base nos padrões internacionais IFRS S1 e S2, que orientam a divulgação de riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade e às mudanças climáticas.

A publicação foi feita voluntariamente, antes de a divulgação nesse formato se tornar obrigatória. Segundo a empresa, o objetivo é integrar esses fatores ao planejamento estratégico, às decisões de investimento e à gestão do negócio.

Entre os pontos analisados estão os possíveis impactos de eventos extremos sobre o fornecimento de matérias-primas, a produção e a logística, além dos custos associados à adaptação às mudanças climáticas e às exigências ambientais.

Ingredientes amazônicos e riscos para o negócio

O relatório destaca a dependência de linhas de produtos de três ingredientes da sociobiodiversidade amazônica: castanha-do-pará, cupuaçu e murumuru. Juntos, os produtos relacionados a essas matérias-primas representaram R$ 584,2 milhões da receita líquida da Natura em 2025.

A disponibilidade desses ingredientes pode ser afetada por alterações climáticas, secas e mudanças nos períodos de colheita. Para reduzir os riscos de desabastecimento, a empresa afirma acompanhar os ciclos de produção e planejar o fornecimento de matérias-primas estratégicas com até 18 meses de antecedência, além de atuar com comunidades e parceiros das cadeias produtivas amazônicas.

Metas para reduzir emissões

O documento também apresenta os resultados das iniciativas para diminuir as emissões de gases de efeito estufa. Com 2020 como ano-base, a Natura informou ter reduzido em 49% as emissões de suas operações próprias e da energia adquirida, classificadas nos escopos 1 e 2, até 2025. A meta é alcançar uma redução absoluta de 90% até 2030.

Nas categorias da cadeia de valor incluídas na meta de escopo 3, como compra de materiais, logística e destinação final dos produtos, a redução chegou a 40%. A meta estabelecida para 2030 é de 42%.

Entre as medidas adotadas estão o uso de energia elétrica renovável nas operações da América Latina, a utilização de biometano na fábrica de Cajamar, em São Paulo, e o trabalho com 119 fornecedores estratégicos para medir e reduzir as emissões.

O que muda com o relatório?

Os padrões IFRS S1 e S2 permitem apresentar informações sobre sustentabilidade e clima relacionadas às perspectivas financeiras da empresa. Enquanto o IFRS S1 trata dos riscos e oportunidades ligados à sustentabilidade de forma geral, o IFRS S2 é voltado especificamente às mudanças climáticas.

A divulgação não significa que os riscos tenham sido eliminados, mas permite acompanhar os impactos identificados, as medidas adotadas e a evolução dos indicadores ao longo do tempo.

O relatório completo e os cadernos de indicadores estão disponíveis no site de Relações com Investidores da Natura.