Zélia Amador de Deus é sepultada em Ananindeua após despedida marcada por homenagens

Professora morreu aos 76 anos após enfrentar um longo tratamento contra um câncer; velório reuniu familiares, amigos e admiradores em Belém.

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 21:38

Zélia Amador de Deus deixa um legado na luta contra o racismo, no Pará
Zélia Amador de Deus deixa um legado na luta contra o racismo, no Pará Crédito: Divulgação

No fim da tarde desta quarta-feira (9), sob o céu de Ananindeua, a terra acolheu o corpo de Zélia Amador de Deus. No Cemitério Recanto da Saudade, familiares, amigos e admiradores se reuniram em silêncio emocionado para o último adeus a uma das figuras mais luminosas da cultura e da luta antirracista na Amazônia.

A despedida começou na noite anterior. No Teatro Waldemar Henrique, no coração da Praça da República, em Belém, o velório transformou-se em celebração. Entre abraços, lágrimas e palavras de gratidão, estudantes, artistas, colegas e militantes de movimentos sociais prestaram homenagem à mulher que, aos 76 anos, deixava o mundo físico, mas não a memória coletiva.

Zélia enfrentava um câncer há alguns anos. Tratava-se em casa, com a mesma dignidade com que enfrentou tantas outras batalhas. Nos últimos dias, porém, o corpo cedeu. Internada, ela partiu por volta das 18h de terça-feira (8).

Uma vida que virou referência

Professora, doutora, escritora, artista e ativista, Zélia Amador de Deus construiu uma existência marcada pela palavra e pela ação. Sua voz atravessou salas de aula, páginas de livros, palcos e ruas, sempre em defesa da população negra e da valorização da cultura afro-brasileira na Amazônia e além dela.

Ela não apenas denunciou o racismo: ensinou caminhos para enfrentá-lo. Tornou-se referência intelectual e afetiva para gerações que aprenderam, com ela, que educação e luta caminham juntas.

Nesta quarta-feira, o ciclo de homenagens se encerrou sob a terra de Ananindeua. Mas o legado de Zélia continua vivo, nas ideias que plantou, nas pessoas que formou e na memória de uma Amazônia que, graças a ela, se reconhece um pouco mais negra, mais orgulhosa e mais consciente.