Publicado em 21 de outubro de 2026 às 13:38
O Brasil voltou à condição de devedor internacional líquido após 19 anos, com a dívida externa crescendo em ritmo superior ao das reservas internacionais. Dados do Banco Central mostram que o endividamento externo chegou a US$ 407,1 bilhões em junho, enquanto as reservas e os créditos brasileiros no exterior somaram US$ 402 bilhões.>
Com a diferença de US$ 5,1 bilhões, a dívida externa líquida, que permaneceu negativa entre 2007 e 2025, passou para o campo positivo. Isso significa que os compromissos do país com o exterior superaram seus ativos externos considerados no cálculo.>
A dívida externa cresceu 27,4% durante o atual governo, enquanto as reservas internacionais avançaram 15,8%. O resultado encerra um período de quase duas décadas em que o Brasil mantinha uma posição de credor internacional.>
Outro fator de atenção é o aumento do déficit em transações correntes, que reúne operações de comércio de bens e serviços e transferências de renda com outros países.>
Em 2025, o déficit chegou a US$ 67,4 bilhões, mais que o dobro dos US$ 27 bilhões registrados em 2023. Entre os fatores que contribuíram para o resultado estão gastos com serviços no exterior, investimentos em criptoativos e pagamentos de dívidas a credores internacionais.>
A entrada de investimento estrangeiro direto continua ajudando a financiar esse déficit. No entanto, a diferença entre os investimentos recebidos e o déficit em transações correntes diminuiu nos últimos anos.>
Em 2025, o investimento estrangeiro direto superou o déficit em US$ 17,6 bilhões. Em 2024, essa diferença foi inferior a US$ 9 bilhões, enquanto em 2023 ultrapassava US$ 38 bilhões.>
A dívida externa brasileira inclui obrigações de diferentes setores da economia, como governo, bancos e empresas. Por isso, o valor de US$ 407,1 bilhões não representa exclusivamente uma dívida do governo federal.>
Além disso, parte dos títulos emitidos em reais passa a ser contabilizada como dívida externa quando está nas mãos de investidores estrangeiros.>
A dívida pública federal emitida diretamente em moeda estrangeira soma cerca de R$ 348 bilhões, valor que representa menos de 4% do estoque total da dívida pública federal.>
Apesar da mudança na posição internacional, as reservas brasileiras permanecem elevadas e continuam funcionando como uma proteção diante de eventuais choques externos. O principal ponto de atenção é a possibilidade de aumento persistente da dívida externa líquida combinado com redução das reservas ou ampliação do déficit em conta corrente.>