Publicado em 17 de agosto de 2026 às 20:39
A crise financeira da Casas Bahia ganhou novos contornos nesta segunda-feira (17), após o presidente-executivo da companhia, Renato Franklin, afirmar que a empresa trabalha com a expectativa de um 2027 ainda mais difícil do que 2026.>
A declaração foi feita durante uma conferência com analistas, um dia depois de a varejista entrar com pedido de recuperação judicial. Segundo Franklin, a companhia não trabalha com uma melhora do cenário macroeconômico e prevê uma possível deterioração das condições de crédito para os consumidores.>
Quase 300 lojas serão fechadas>
Como parte do processo de reestruturação, a Casas Bahia anunciou o fechamento de 298 lojas, o equivalente a aproximadamente 30% de sua rede. A empresa afirma que o redimensionamento foi planejado considerando justamente um ambiente de consumo mais fraco e crédito mais restritivo.>
A companhia também vem adotando uma postura mais rigorosa na concessão de financiamentos aos clientes, diante do aumento do endividamento das famílias.>
Crédito no centro das preocupações>
Para Renato Franklin, algumas medidas que ajudaram a sustentar o consumo em 2026 podem acabar aumentando o passivo financeiro dos consumidores no futuro.>
Na avaliação apresentada pelo executivo, a combinação entre endividamento elevado, juros altos e maior dificuldade de acesso ao crédito pode pressionar ainda mais o consumo de produtos de maior valor, segmento importante para a varejista.>
Recuperação judicial>
O pedido de recuperação judicial ocorre após a Casas Bahia registrar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Desse total, cerca de R$ 9,1 bilhões foram relacionados a efeitos contábeis sem impacto imediato no caixa, enquanto o prejuízo ajustado ficou em aproximadamente R$ 978 milhões.>
A companhia declarou uma dívida de R$ 17,3 bilhões no processo de recuperação judicial. A estratégia busca reorganizar os compromissos financeiros e preservar a continuidade das operações.>
O cenário coloca uma das maiores varejistas do país diante de um processo de transformação profunda, com redução da rede física, maior seletividade no crédito e foco em operações consideradas mais rentáveis.>
A avaliação de que 2027 poderá ser pior que 2026, porém, é uma projeção da própria companhia, e não uma previsão econômica oficial para o país.>
Com informações do portal UOL>