Flávio Bolsonaro propõe tirar universidades federais do MEC

Candidato à Presidência defende mudança na estrutura das universidades e quer aproximar pesquisa científica das demandas do setor produtivo.

Publicado em 17 de agosto de 2026 às 20:16

Senador Flávio Bolsonaro ao Partido Liberal (PL
Senador Flávio Bolsonaro ao Partido Liberal (PL Crédito: Reprodução

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) incluiu em seu plano de governo uma proposta que pode provocar uma ampla discussão sobre o futuro das universidades federais brasileiras. A ideia é retirar as instituições da alçada do Ministério da Educação (MEC) e transferir sua gestão para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

A proposta aparece no capítulo “Preparar para o Brasil que existe”, que reúne medidas voltadas à educação, ciência, tecnologia e inovação.

Na avaliação apresentada pelo candidato, o Ministério da Educação deveria concentrar maior atenção na educação básica, enquanto as universidades federais passariam a estar vinculadas a uma estrutura ministerial voltada à ciência e à inovação.

Pesquisa com foco no setor produtivo

Além da mudança administrativa, Flávio Bolsonaro defende uma nova orientação para as agências públicas de fomento à pesquisa. Segundo a proposta, os investimentos científicos deveriam priorizar o chamado “impacto produtivo”, aproximando os projetos desenvolvidos nas universidades das necessidades de empresas e do mercado.

A ideia coloca em debate o papel da pesquisa financiada com recursos públicos e até que ponto universidades devem direcionar sua produção científica para demandas econômicas.

Proposta já havia sido discutida

A transferência das universidades federais para o Ministério da Ciência e Tecnologia não é uma discussão inédita. Uma ideia semelhante chegou a ser aventada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai e aliado político de Flávio.

Agora, a proposta volta ao centro do debate eleitoral por estar formalmente incluída no programa apresentado pelo candidato.

Mudança pode gerar debate sobre autonomia

Uma eventual alteração na estrutura administrativa das universidades federais teria impacto significativo no sistema de ensino superior brasileiro. As instituições possuem autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, garantida pela Constituição.

Por isso, uma mudança dessa dimensão não se resumiria apenas à troca de ministério. O tema envolve financiamento, definição de prioridades para a pesquisa, autonomia universitária e a relação entre universidades, governo e iniciativa privada.

A proposta de Flávio Bolsonaro deverá alimentar o debate entre candidatos, pesquisadores, professores, estudantes e entidades ligadas à educação e à ciência durante a campanha presidencial de 2026.

Com informações da Folha de São Paulo