União Europeia bloqueia carne e produtos animais do Brasil a partir desta quinta

O rigor nas regras de antibióticos na pecuária colocou o Brasil temporariamente fora do mercado europeu.

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 10:46

União Europeia bloqueia carne e produtos animais do Brasil a partir desta quinta
União Europeia bloqueia carne e produtos animais do Brasil a partir desta quinta Crédito: Reprodução

A barreira alfandegária mais importante dos últimos tempos para o campo brasileiro entra em vigor nesta quinta-feira (3). A partir de agora, o mercado de 27 países da União Europeia está fechado para a exportação de carne bovina, suína, frango, mel, pescados e ovos produzidos em solo brasileiro.

A decisão, anunciada em maio, não aconteceu por causa de nenhuma contaminação ou carne estragada nos frigoríficos, mas sim por divergências nas regras de controle de antimicrobianos os remédios usados para tratar infecções nos bichos.

Para os europeus, o sistema brasileiro de fiscalização dessas substâncias ainda não atinge o padrão exigido pelo bloco, que proíbe o uso de antibióticos tanto para acelerar o crescimento dos animais quanto aqueles medicamentos reservados exclusivamente para humanos. O impacto é pesado, especialmente para a avicultura e a pecuária de corte, principais motores das nossas vendas para a Europa, embora o volume financeiro represente uma fatia menor do total exportado pelo Brasil.

Enquanto isso, os vizinhos do Mercosul Argentina, Paraguai e Uruguai continuam com passe livre para vender aos europeus. Essa seletividade acendeu o alerta do agronegócio brasileiro, que enxerga na medida um claro ato protecionista. A restrição veio logo após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre o bloco europeu e o Mercosul, tratado que enfrentou protestos intensos de agricultores locais na Europa, assustados com a concorrência dos alimentos sul-americanos mais baratos. Na Itália, principal compradora da nossa carne bovina, grandes entidades do setor rural celebraram o embargo como uma vitória comercial.

Apesar do bloqueio, há uma luz no fim do túnel, ainda que distante. Uma auditoria europeia está acontecendo no Brasil justamente nesta semana para avaliar as cadeias de mel e frango, com resultados previstos para daqui a dois meses. No entanto, mesmo que um acordo seja fechado rapidamente, a retomada total das vendas não será imediata. Devido ao ciclo biológico, um boi criado sob as novas exigências de controle de remédios pode demorar de dois a três anos para estar pronto para o abate dentro do padrão europeu, enquanto o frango, com um ciclo bem mais rápido, conseguiria se adaptar em cerca de 45 dias.