Clubes ameaçam paralisar Brasileirão e recorrem ao STF contra MP das bets

Dirigentes discutem suspensão do campeonato para pressionar o governo por um período de transição para a publicidade de apostas e maior apoio financeiro aos clubes.

Publicado em 29 de setembro de 2026 às 17:20

Dirigentes discutem suspensão do campeonato para pressionar o governo por um período de transição para a publicidade de apostas e maior apoio financeiro aos clubes.
Dirigentes discutem suspensão do campeonato para pressionar o governo por um período de transição para a publicidade de apostas e maior apoio financeiro aos clubes. Crédito: Reprodução 

Nesta terça-feira (28), dirigentes de clubes brasileiros intensificaram a articulação contra a Medida Provisória que trata das apostas esportivas e passaram a discutir até mesmo a possibilidade de paralisar o Campeonato Brasileiro. A mobilização também envolve uma tentativa de levar a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a participar das negociações com o Governo Federal.

Segundo o colunista do Estadão Marcel Rizzo, a possibilidade de paralisação surgiu durante as articulações que também levaram os clubes a boicotar uma reunião com representantes do Governo Federal, marcada para esta quarta-feira (29). O encontro acabou sendo cancelado depois que diversos presidentes de clubes informaram que não participariam.

De acordo com os dirigentes, uma eventual paralisação teria dois objetivos. O primeiro seria aumentar a pressão por medidas de apoio financeiro além da linha de crédito com juros baixos que já vinha sendo negociada antes da MP.

Os clubes também defendem um período de transição de seis meses a um ano para que as empresas e equipes possam encerrar gradualmente a publicidade relacionada às bets.

O segundo objetivo seria ampliar a participação da CBF nas negociações com o governo. Uma paralisação do Brasileirão poderia afetar diretamente o calendário do futebol brasileiro, que já é considerado apertado pelos clubes.

Nesse cenário, o Sinafut, entidade que representa clubes e federações estaduais e tem influência da CBF, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para participar do processo relacionado às apostas esportivas e à MP.

A movimentação foi interpretada por alguns dirigentes como um sinal de que a CBF estaria começando a se envolver mais diretamente na discussão. Segundo relatos citados por Marcel Rizzo, alguns presidentes de clubes vinham cobrando uma postura mais ativa da entidade.

Até clubes considerados mais próximos do Palácio do Planalto aderiram ao boicote à reunião com o governo. Entre eles está o Corinthians, que participa das negociações por uma linha de crédito com juros baixos e também trata com a Caixa Econômica Federal de alternativas para o financiamento de sua arena.

Por enquanto, a paralisação do Campeonato Brasileiro aparece como uma possibilidade discutida pelos clubes dentro da estratégia de pressão contra a MP. A decisão sobre uma eventual interrupção da competição ainda depende da evolução das negociações com o Governo Federal e da articulação envolvendo a CBF.