Convocação de Prestianni sob sombra de racismo: Argentina chama atacante em meio a investigações e proposta de nova ‘Lei FIFA’

Após ser acusado de injúria racial contra Vini Jr. na Champions League, jogador do Benfica é incluído na lista de Scaloni; enquanto a UEFA mantém suspensão preventiva e órgãos portugueses apuram o caso, a FIFA estuda regra para banir o ato de esconder a boca em campo.

Publicado em 19 de março de 2026 às 15:37

Prestianni chamou Vinicius Jr. de "mono" (macaco) em espanhol enquanto cobria a boca com a camisa. —
Prestianni chamou Vinicius Jr. de "mono" (macaco) em espanhol enquanto cobria a boca com a camisa. — Crédito: Reprodução/Internet

A convocação de Gianluca Prestianni para a seleção argentina, anunciada pelo técnico Lionel Scaloni para o amistoso contra a Guatemala em 31 de março de 2026, ocorre em meio a uma das maiores polêmicas recentes do futebol europeu. O atacante do Benfica foi acusado de racismo por Vinícius Júnior durante uma partida da Champions League contra o Real Madrid, realizada em 17 de fevereiro no Estádio da Luz.

O Caso: Ofensas no Estádio da Luz

O incidente ocorreu logo após Vini Jr. marcar o gol da vitória do Real Madrid por 1 a 0. Segundo o relato do brasileiro, Prestianni o chamou de "mono" (macaco), em espanhol enquanto cobria a boca com a camisa, uma tática que dificulta a leitura labial e a coleta de provas por imagens. O atacante Kylian Mbappé, companheiro de equipe de Vini Jr., afirmou ter ouvido a ofensa ser proferida cinco vezes. Prestianni nega as acusações, alegando que houve um mal-entendido por parte do brasileiro.

Medidas da UEFA e a Postura da FIFA

A UEFA agiu de forma imediata, suspendendo Prestianni preventivamente por uma partida, o que o retirou do jogo de volta no Santiago Bernabéu. A entidade europeia nomeou um inspetor de ética para investigar o caso sob o Artigo 14 de seu regulamento disciplinar, que prevê uma suspensão mínima de 10 jogos para condutas discriminatórias.

Embora a FIFA não tenha jurisdição direta para punir o atleta em uma competição europeia, o posicionamento da entidade máxima do futebol foi contundente através de seu presidente, Gianni Infantino. Em vez de tratar o episódio apenas como um problema social externo, Infantino utilizou o caso para defender mudanças drásticas nas regras globais do futebol, e sugeriu que jogadores que cubram a boca para se dirigir a adversários devem ser expulsos imediatamente, partindo do pressuposto de que estão ocultando algo ofensivo. Paralelamente, o governo brasileiro, por meio dos ministérios da Igualdade Racial e do Esporte, condenou o ato e informou que acompanhará de perto as investigações para garantir que medidas firmes sejam adotadas.

Investigação em Curso

Atualmente, o caso é alvo de múltiplas frentes de investigação, envolvendo o inspetor de ética nomeado pela UEFA, a Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) de Portugal, que instaurou um processo administrativo para analisar imagens e relatórios de arbitragem. O Benfica, embora tenha inicialmente apoiado o jogador e recorrido da suspensão preventiva da UEFA, enfrenta um posicionamento rígido de seu técnico, José Mourinho, que declarou que, caso a culpa de Prestianni seja comprovada, sua carreira no clube português chegará ao fim. Prestianni, por sua vez, nega as acusações e sustenta que houve um mal-entendido sobre o que foi dito em campo.

A ‘Lei Prestianni’

O impacto deste episódio pode gerar mudanças permanentes nas regras do esporte através da chamada ‘Lei Prestianni’. A proposta, que está sendo analisada pela FIFA e pelo IFAB (International Football Association Board), visa transformar o ato de esconder a boca durante discussões em uma infração passível de cartão vermelho, eliminando a "zona cega" que protege agressores da vigilância das câmeras. A expectativa é que essa nova regulamentação seja aprovada até abril, a tempo de ser implementada na Copa do Mundo de 2026. Além da punição rigorosa, Infantino também levanta a possibilidade de reduzir sanções para jogadores que admitam seus atos e demonstrem arrependimento, buscando uma abordagem que combine disciplina com reabilitação cultural no ambiente esportivo.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Cássio Leal.