Publicado em 7 de abril de 2026 às 07:42
O Santos reconheceu oficialmente uma dívida de R$ 90,5 milhões com a NR Sports, empresa que administra a carreira de Neymar. O valor consta em um aditivo contratual firmado entre as partes no fim do ano passado, dentro de um acordo de renegociação referente aos direitos de imagem do camisa 10.>
De acordo com o documento, divulgado pelo portal Diário do Peixe, o pagamento foi dividido em duas etapas. A primeira corresponde a R$ 26 milhões de valores já vencidos, que estão sendo quitados em cinco parcelas mensais de R$ 5,2 milhões entre janeiro e maio deste ano, sem aplicação de correção monetária.>
A segunda parte envolve os R$ 64,5 milhões restantes do compromisso atual. Esse montante será pago em 43 parcelas de R$ 1,5 milhão, a partir de junho, com reajuste baseado na variação do IPCA calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Pelo cronograma estabelecido, a dívida deverá ser totalmente quitada no início de 2030.>
Neymar possui contrato com o Santos até 31 de dezembro de 2026. Procurada, a NR Sports informou que não comentará o assunto. Já o clube afirmou que não irá se manifestar por questões de confidencialidade contratual.>
O aditivo prevê cláusulas rígidas em caso de inadimplência. Caso o Santos atrase qualquer parcela, o clube poderá ser obrigado a quitar imediatamente o saldo restante de R$ 64,5 milhões à vista.>
O acordo também estabelece condições adicionais relacionadas à gestão do clube. Entre elas, a permanência do presidente Marcelo Teixeira após as eleições previstas para o fim do ano, medida que, segundo o documento, busca garantir segurança financeira à empresa credora. Além disso, caso o Santos se transforme em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), a responsabilidade pelo pagamento será transferida aos futuros acionistas.>
Como garantia jurídica do cumprimento do acordo, o Santos ofereceu o CT Meninos da Vila. A utilização de patrimônios como garantia não é inédita no futebol brasileiro. Em 2015, uma dívida de pouco mais de R$ 2 milhões do clube com Pelé resultou na penhora da Vila Belmiro. Em 2019, o estádio voltou a ser oferecido como garantia em uma cobrança envolvendo o fundo de investimentos Teisa, mas a ação acabou rejeitada pela Justiça.>
Casos semelhantes também ocorreram recentemente em outros clubes, como o Internacional, que tentou utilizar seu centro de treinamento como garantia em uma disputa judicial relacionada à contratação do chileno Palacios, iniciativa igualmente negada pela Justiça.>