Publicado em 21 de outubro de 2026 às 12:57
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) marcou para esta quinta-feira (22), às 15h30, o julgamento dos incidentes registrados na partida entre Brusque e Paysandu, válida pela última rodada do quadrangular da Série C do Campeonato Brasileiro. O clube catarinense e o dirigente Rafael Roncaglio aparecem entre os denunciados no processo nº 1147/2026.>
De acordo com a pauta de julgamento divulgada pelo STJD, o Brusque Futebol Clube SAF responde por possíveis infrações aos artigos 211, 213, inciso I, e 176-A, parágrafo 4º, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Já Rafael Roncaglio foi denunciado com base no artigo 243-G, relacionado a atos discriminatórios.>
O clube catarinense pode sofrer sanções desportivas e financeiras, conforme o enquadramento das infrações e a decisão dos auditores. Entre as punições previstas no CBJD para determinadas infrações estão multas e, dependendo do artigo aplicado e das circunstâncias reconhecidas no julgamento, outras medidas disciplinares. A aplicação de qualquer penalidade dependerá da análise do tribunal.>
ENTENDA O CASO>
A partida entre Brusque e Paysandu começou no sábado (10 de outubro), no estádio Augusto Bauer, em Santa Catarina. O jogo foi interrompido ainda no primeiro tempo, quando o Papão vencia por 1 a 0, após problemas de segurança envolvendo a arquibancada destinada à torcida visitante.>
A retomada ocorreu no domingo (11), com portões fechados, e o confronto terminou empatado em 1 a 1. A paralisação também afetou a programação de Ferroviária x Inter de Limeira, partida disputada simultaneamente e decisiva para a definição das vagas de acesso à Série B de 2027.>
Em nota, o Brusque afirmou que havia vendido 616 ingressos para o setor visitante, cuja capacidade autorizada seria de 620 pessoas. O clube também alegou que torcedores do Paysandu teriam forçado a entrada e danificado equipamentos de controle de acesso. Essas alegações fazem parte da versão apresentada pela equipe catarinense e não devem ser tratadas como conclusões definitivas do julgamento.>
DENÚNCIA DE XENOFOBIA>
Outro episódio que gerou repercussão ocorreu após a interrupção da partida. Segundo a súmula do árbitro Wilton Pereira Sampaio, uma mensagem foi transmitida pelo sistema de som do estádio, direcionada à torcida bicolor, com a frase: “Atenção, torcedor do Paysandu, se você não se comportar como ser humano, o jogo não vai recomeçar”.>
O Paysandu classificou a declaração como xenofóbica e ofensiva ao povo paraense e nortista. O caso ampliou a tensão entre os clubes e levou a cobranças por esclarecimentos às autoridades responsáveis pela organização da partida.>
Além da discussão sobre os incidentes no estádio, o Paysandu contestou formalmente decisões tomadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) após a interrupção do jogo. O clube pediu documentos e esclarecimentos sobre a condução da rodada decisiva da Série C.>
PAYSANDU TAMBÉM QUESTIONA RESULTADO>
Paralelamente ao julgamento dos incidentes envolvendo o Brusque, o Paysandu apresentou contestação à CBF e ao STJD sobre os desdobramentos esportivos da última rodada. O clube busca discutir as decisões adotadas após a suspensão da partida, que terminou empatada em 1 a 1.>
A contestação ocorre porque os resultados da rodada tiveram impacto direto na disputa pelas vagas na Série B de 2027. Até o momento, porém, não há garantia de que o pedido bicolor provocará mudanças nos resultados ou na definição dos clubes promovidos.>
O julgamento desta quinta-feira poderá esclarecer a responsabilidade disciplinar dos denunciados pelos episódios registrados em Brusque. As consequências dependerão da decisão dos auditores do STJD.>
Texto por Pedro Moraes.>