Torcida do Remo protesta contra candidatura de Tonhão a deputado: 'Clube não é fundo partidário'

Parte da torcida do Leão criticou a candidatura do presidente Antônio Carlos Teixeira, o Tonhão, a deputado estadual e cobrou foco na situação do clube no Campeonato Brasileiro.

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 10:21

Presidente do Remo concorre ao cargo de deputado estadual no Pará - 
Presidente do Remo concorre ao cargo de deputado estadual no Pará -  Crédito: Redes sociais

A candidatura do presidente do Clube do Remo, Antônio Carlos Teixeira, o Tonhão (MDB), a deputado estadual provocou protestos e manifestações de repúdio entre torcedores azulinos. A insatisfação ganhou força após a derrota do Leão para o Coritiba, por 3 a 2, na última segunda-feira (31), no Mangueirão, pelo Campeonato Brasileiro.

Parte das torcidas organizadas questiona a candidatura do dirigente em meio à crise vivida pelo Remo dentro de campo. O clube permanece na zona de rebaixamento da Série A e enfrenta uma sequência de resultados negativos na competição.

Antes da partida contra o Coritiba, o estacionamento do Mangueirão recebeu bandeiras com referências a Tonhão, ao governador Helder Barbalho, candidato ao Senado pelo MDB, a Chicão, candidato ao Senado pelo União Brasil, e a Hana Ghassan, candidata ao Governo do Pará pelo MDB. Os quatro integram o grupo político que apoia a candidatura do MDB ao governo estadual.

Após a derrota do Remo, uma faixa foi colocada em uma passarela da avenida Almirante Barroso, em Belém, com críticas à candidatura do presidente azulino. A mensagem dizia: “Tonhão, o clube não é fundo partidário. Cadê o dinheiro?”

A torcida barra-brava Camisa 33 também publicou um posicionamento nas redes sociais sobre o momento do clube. O grupo afirmou estar preocupado com os resultados e reconheceu o apoio da torcida, mas criticou o que classificou como presença de interesses políticos e ideológicos ligados ao Remo.

“O Remo não pode ser colocado em segundo plano por projeto político nenhum. Quem ocupa a presidência precisa entender o tamanho da responsabilidade que assumiu.”

Ao final da publicação, a torcida fez críticas diretas à comissão técnica e à diretoria, com as frases “O REMO PRECISA DE UM PRESIDENTE, NÃO DE UM CANDIDATO!”, “FORA CONDÉ!” e “FORA LUÍS VAGNER!”.

Torcidas organizadas criticam candidatura

A célula do Jurunas da Associação Diretoria Independente Torcida Organizada do Remo (ADITOR), conhecida como Comando Jurunas, também divulgou um comunicado contra a candidatura de Tonhão.

A torcida afirmou que não apoia nem compactua com o dirigente, seja pela atuação à frente do clube ou pela condição de candidato político. O grupo defendeu que o momento exige dedicação à situação do Remo no Campeonato Brasileiro.

Segundo o comunicado, parcerias podem contribuir para o crescimento do clube e da torcida, mas não devem ultrapassar os limites defendidos pela organizada.

“Não confundam apoio com silêncio. Nossa história não está à venda.”

A Pavilhão 6 foi outra organizada a se manifestar. O grupo afirmou que o Remo não pode ser utilizado como “vitrine, palanque ou instrumento para projeto pessoal” de quem ocupa a presidência.

A torcida também cobrou planejamento, responsabilidade e resultados da diretoria azulina, além de criticar qualquer utilização do clube para promoção pessoal ou política.

“A torcida quer resultado, planejamento, responsabilidade e respeito ao clube. Não quer espetáculo político.”

Remo enfrenta Flamengo no Mangueirão

Dentro de campo, o Remo vive um momento delicado na Série A. Contra o Coritiba, o Leão chegou a virar o placar no segundo tempo, mas sofreu dois gols na reta final e acabou derrotado por 3 a 2.

O resultado manteve o clube paraense na zona de rebaixamento e aumentou a pressão sobre a comissão técnica e a diretoria.

O próximo compromisso do Remo será novamente no Mangueirão. Neste domingo (6), às 16h, o Leão recebe o Flamengo pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro. A expectativa é de grande público, com possibilidade de cerca de 50 mil torcedores no estádio.

Além da necessidade de pontuar para tentar reagir na luta contra o rebaixamento, o confronto também será marcado pela pressão externa sobre a diretoria e o técnico Léo Condé.