Ataques deixam 555 mortos no Irã e ampliam risco de conflito regional

Bombardeios dos Estados Unidos e de Israel provocam centenas de vítimas, fechamento de rota estratégica do petróleo e troca de ameaças entre líderes mundiais.

Publicado em 2 de março de 2026 às 08:53

Ataques deixam 555 mortos no Irã e ampliam risco de conflito regional
Ataques deixam 555 mortos no Irã e ampliam risco de conflito regional Crédito: Reprodução/Redes sociais

Pelo menos 555 pessoas morreram e outras 747 ficaram feridas após uma ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã no último sábado. O balanço foi divulgado pelo Crescente Vermelho, que também informou que 131 cidades iranianas foram atingidas durante a operação.

As explosões foram registradas na capital Teerã e em dezenas de outros municípios. Horas depois dos bombardeios, veio a confirmação de um dos episódios mais impactantes do conflito: a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. O anúncio inicial partiu do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e foi confirmado posteriormente pelo próprio regime iraniano.

Em reação, o Irã lançou mísseis contra Israel e contra bases militares norte americanas instaladas em países como Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. O governo dos EUA afirmou que os danos às suas estruturas foram mínimos.

A escalada também atingiu o mercado global de energia. O Estreito de Ormuz, considerado uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo, foi fechado por razões de segurança, segundo a agência estatal iraniana Tasnim. A medida acendeu o alerta internacional por possíveis impactos no preço do combustível e na economia global.

Ao justificar a ofensiva, Trump declarou que a meta é eliminar o programa nuclear iraniano e impedir que o país desenvolva uma arma atômica. Em pronunciamento, afirmou que o regime iraniano não poderá mais ameaçar a estabilidade regional e advertiu que qualquer retaliação será respondida com força máxima. O primeiro ministro de Israel também afirmou que a operação busca neutralizar o que chamou de ameaça existencial representada por Teerã.

O governo iraniano, por sua vez, classificou a ação como uma agressão militar criminosa e afirmou que vai reagir de forma firme. Em nota oficial, declarou que tentou evitar a guerra, mas que agora considera legítimo defender sua soberania.

A atual ofensiva é a segunda em menos de um ano. Em junho de 2025, estruturas nucleares iranianas já haviam sido alvo de bombardeios. Nas semanas que antecederam o novo ataque, Washington pressionava Teerã a abandonar seu programa nuclear, enquanto negociações ainda estavam em andamento.

O cenário se agravou com o reforço militar dos Estados Unidos na região, incluindo o envio dos porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford, além da manutenção de bases em países vizinhos ao Irã. Do outro lado, o governo iraniano realizou exercícios conjuntos com Rússia e China e reforçou a proteção de suas instalações nucleares.

A crise acontece em meio a dificuldades econômicas internas no Irã. O país enfrenta inflação superior a 40 por cento ao ano e forte desvalorização do rial, que perdeu cerca de metade do valor frente ao dólar em 2025. Sanções internacionais, retomadas após a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear de 2015, pressionam ainda mais a economia. O desgaste político também se intensificou após protestos reprimidos pelo regime nos últimos anos.

As tensões entre Irã e Estados Unidos se arrastam desde a Revolução Islâmica de 1979. Desde então, episódios de sanções, embargos e confrontos indiretos marcaram a relação entre os dois países. Um dos momentos mais críticos ocorreu em 2020, com a morte do general iraniano Qassem Soleimani em uma operação americana.

Agora, com centenas de mortos, a morte do líder supremo e ameaças públicas de retaliação, o Oriente Médio vive um dos momentos mais delicados das últimas décadas. A comunidade internacional acompanha com preocupação os próximos passos de um conflito que pode ter consequências globais.