Celebração do Domingo de Ramos é interrompida pela primeira vez em séculos

Restrição de acesso à Igreja do Santo Sepulcro levou ao cancelamento de procissão tradicional.

Publicado em 29 de março de 2026 às 13:48

(Pela primeira vez em séculos, a tradicional celebração do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro, o local mais sagrado do cristianismo, foi interrompida por autoridades israelenses.)
(Pela primeira vez em séculos, a tradicional celebração do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro, o local mais sagrado do cristianismo, foi interrompida por autoridades israelenses.) Crédito: Redes Sociais/Instagram 

Pela primeira vez em séculos, a tradicional celebração do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro, o local mais sagrado do cristianismo, foi interrompida por autoridades israelenses. O Patriarca Latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, e o Custódio da Terra Santa, padre Francesco Ielpo, foram barrados pela polícia ao tentarem acessar a basílica para celebrar a missa que marca o início da Semana Santa.

Os dois líderes se dirigiam ao local de forma privada, sem qualquer caráter de procissão ou ato público, quando foram detidos e obrigados a retornar. Em comunicado conjunto, o Patriarcado Latino de Jerusalém e a Custódia da Terra Santa lamentaram o ocorrido, destacando que se trata de um fato inédito em séculos de história.

Além disso, a tradicional procissão do Domingo de Ramos, que parte do Monte das Oliveiras e reúne milhares de peregrinos todos os anos, já havia sido cancelada dias antes devido às restrições de segurança impostas pelo conflito em curso na região.

A polícia israelense justificou as medidas alegando que a configuração da Cidade Velha de Jerusalém e dos locais sagrados forma uma área complexa, o que poderia dificultar o acesso rápido de equipes de resgate em caso de ataque ou emergência. As restrições estão em vigor desde o final de fevereiro de 2026, após o início da ofensiva militar israelense (com apoio dos EUA) contra o Irã, que aumentou as tensões na região.

O Patriarcado já havia anunciado “medidas excepcionais” para a Semana Santa deste ano, substituindo a procissão por um momento de oração pela cidade em local ainda a ser definido. As celebrações públicas foram limitadas, embora os frades franciscanos continuem realizando ritos internos na basílica.

O incidente gerou reações diplomáticas. Itália e França manifestaram solidariedade aos líderes católicos e condenaram a decisão, com o ministro italiano das Relações Exteriores convocando o embaixador de Israel para esclarecimentos. Autoridades eclesiais consideraram a medida “desproporcional” e um “grave precedente” contra a liberdade religiosa.

O cardeal Pizzaballa tem enfatizado que, apesar das dificuldades, a fé não pode ser silenciada e convoca os fiéis a intensificarem as orações pela paz no Oriente Médio.

A Igreja do Santo Sepulcro, que abriga os locais tradicionais da crucificação, sepultamento e ressurreição de Jesus, permanece com acesso restrito ao público em geral devido às preocupações de segurança.

Com informações do portal UOL, Terra e O Globo