Irã ameaça países que apoiarem novas sanções dos EUA

Chefe de segurança iraniano classifica apoio às medidas de Washington como “ato de guerra”, enquanto presidente defende acordo para evitar uma nova escalada

Publicado em 23 de agosto de 2026 às 21:36

Chefe de segurança iraniano classifica apoio às medidas de Washington como “ato de guerra”, enquanto presidente defende acordo para evitar uma nova escalada
Chefe de segurança iraniano classifica apoio às medidas de Washington como “ato de guerra”, enquanto presidente defende acordo para evitar uma nova escalada Crédito: Reprodução

Neste domingo (23), o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, afirmou que o país poderá considerar um “ato de guerra” qualquer apoio de outras nações às novas medidas econômicas anunciadas pelos Estados Unidos contra Teerã. A declaração aumenta a tensão entre os dois países, enquanto o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, defende a retomada de um acordo com Washington.

Rezaei publicou a ameaça na rede social X e afirmou que o Irã reagiria caso outros países participassem das medidas econômicas impostas pelos Estados Unidos. Em entrevista à televisão estatal exibida no sábado (22), ele também disse que Teerã daria uma resposta “sísmica” caso o presidente americano, Donald Trump, adotasse novas ações contra o país.

O chefe de segurança iraniano afirmou ainda que o país poderia ampliar sua reação no Golfo Pérsico. Segundo ele, caso a chamada “guerra econômica” continue, o Irã poderia impedir a exportação de petróleo não apenas pelo Estreito de Ormuz, mas também por outras rotas da região.

“Se a guerra econômica continuar, nem uma única gota de petróleo será exportada”, declarou Rezaei. Ele acrescentou que qualquer país que participe ou apoie as medidas americanas contra o Irã será considerado envolvido em um “ato de guerra”.

A ameaça ocorre em meio ao aumento da pressão de Washington sobre Teerã. O governo de Trump anunciou novas medidas econômicas contra o Irã e afirmou que pretende ampliar o isolamento do país caso não haja avanços nas negociações.

Rezaei, que já comandou a Guarda Revolucionária do Irã, assumiu neste mês a chefia do Conselho Supremo de Segurança Nacional. Ele também atua como assessor militar do líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei.

Presidente iraniano defende acordo

Enquanto Rezaei adota um tom mais duro, o presidente Masoud Pezeshkian defendeu neste domingo a retomada de um memorando de entendimento firmado com os Estados Unidos em junho. Para ele, o acordo seria uma alternativa para diminuir a tensão entre os dois países.

Pezeshkian afirmou que o entendimento poderia ajudar a superar o atual cenário de “nem guerra, nem paz” e também facilitar a entrada de investimentos no Irã. Segundo o presidente, o documento não representa uma rendição diante dos Estados Unidos.

“Não há uma única cláusula neste acordo que represente uma capitulação”, afirmou Pezeshkian, segundo a agência estatal IRNA.

O memorando estabeleceu um prazo de 60 dias para que os dois países negociassem questões relacionadas ao fim do conflito e ao programa nuclear iraniano. O período terminou na semana passada sem que as partes chegassem a um novo acordo ou indicassem uma extensão formal das negociações.

A combinação de ameaças de retaliação e tentativas de manter o diálogo deixa a relação entre Irã e Estados Unidos em um momento de forte tensão, com o risco de novas medidas econômicas e militares no horizonte.