Mapa publicado por Trump provoca crise diplomática e leva Islândia a convocar embaixador dos EUA

Primeira-ministra islandesa classificou a publicação como um “insulto” e afirmou que não há nada de normal em questionar a soberania de outros países

Publicado em 8 de setembro de 2026 às 18:06

Primeira-ministra islandesa classificou a publicação como um “insulto” e afirmou que não há nada de normal em questionar a soberania de outros países
Primeira-ministra islandesa classificou a publicação como um “insulto” e afirmou que não há nada de normal em questionar a soberania de outros países Crédito: Reprodução 

Nesta terça-feira (8), o governo da Islândia condenou uma publicação feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mostra a bandeira americana sobreposta aos territórios da Islândia, Groenlândia, Canadá, México e de países do Caribe. A publicação provocou uma reação oficial do governo islandês, que convocou o embaixador dos EUA em Reykjavik para prestar esclarecimentos.

A imagem foi publicada por Trump na segunda-feira (7), em sua rede social, a Truth Social. O mapa não veio acompanhado de nenhuma mensagem escrita pelo presidente.

Para a primeira-ministra da Islândia, Kristrún Frostadóttir, a publicação representa um desrespeito à soberania dos territórios retratados.

“É um insulto aos islandeses, canadenses e groenlandeses. Não há nada de engraçado ou normal em zombar da soberania dos Estados”, afirmou.

A publicação ocorre em um momento de preocupação crescente na Islândia com a postura de Trump em relação ao Ártico, principalmente diante do interesse do presidente americano pela Groenlândia, território autônomo do Reino da Dinamarca.

Vizinha mais próxima da Islândia, a Groenlândia ocupa uma posição estratégica no Ártico e tem sido alvo de declarações de Trump relacionadas aos interesses dos Estados Unidos na região.

A ministra das Relações Exteriores da Islândia, Þorgerður Katrín Gunnarsdóttir, convocou o embaixador dos Estados Unidos no país, Billy Long, para transmitir formalmente o descontentamento do governo com a publicação.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores islandês, a reunião serviu para deixar claro que a imagem divulgada por Trump foi considerada inadequada pelas autoridades.

A Islândia mantém uma relação histórica e estratégica com os Estados Unidos, principalmente por meio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O país é o único integrante da aliança militar que não possui forças armadas próprias e depende da estrutura de defesa coletiva do bloco.

Gunnarsdóttir afirmou que autoridades do governo Trump já haviam orientado integrantes do governo islandês a não interpretar literalmente todas as declarações do presidente, mas a levá-las a sério.

“Talvez não devêssemos levar o atual presidente dos EUA ao pé da letra, mas deveríamos levá-lo a sério”, disse a ministra.

Para ela, porém, a publicação do mapa ultrapassou esse limite. “Na minha opinião, isso não é uma piada. E, se isso deveria ser uma piada, é uma péssima piada”, afirmou.