Morre Hugo Broch, ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, aos 104 anos

Hugo colecionou vitórias em centenas de missões e, décadas após o conflito, protagonizou um emocionante voo de reconciliação em um caça britânico.

Publicado em 16 de junho de 2026 às 09:27

Morre Hugo Broch, ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, aos 104 anos
Morre Hugo Broch, ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, aos 104 anos Crédito: Reprodução/Redes sociais

No dia 31 de maio, o mundo perdeu uma das derradeiras testemunhas das batalhas aéreas que marcaram a Segunda Guerra Mundial. O ex-piloto alemão Hugo Broch faleceu aos 104 anos, embora a notícia de sua morte só tenha sido divulgada recentemente pelo jornal Bild. Broch era apontado como o último sobrevivente entre os "ases" da Luftwaffe, a força aérea da Alemanha nazista, tendo atuado intensamente nos combates que definiram os rumos da Europa na década de 1940.

Durante o conflito global, o piloto nascido em 1922 operou na complexa Frente Oriental, onde participou de mais de 320 missões de combate. Seus registros apontam um total de 81 vitórias aéreas contra aeronaves da União Soviética. Esse desempenho expressivo fez com que ele recebesse a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro ao atingir sua 79ª vitória. A condecoração era uma das distinções militares mais raras e exclusivas daquele período, concedida pouco mais de 7 mil vezes ao longo de toda a guerra, segundo dados do Museu Histórico Alemão.

Com o fim da guerra, o destino de Broch seguiu caminhos bem distantes dos holofotes militares. Ele chegou a ser detido pelas forças britânicas por algumas semanas, mas logo recuperou a liberdade e escolheu focar em uma rotina comum e anônima. Longe dos aviões de caça, ele se estabeleceu na cidade de Leverkusen, onde construiu uma carreira sólida na vida civil trabalhando como funcionário da empresa de fotografia Agfa AG por várias décadas.

Já na velhice, Broch voltou a ser assunto na imprensa internacional de forma surpreendente. Aos 95 anos, em 2017, ele aceitou o desafio de subir aos céus novamente, mas dessa vez a bordo de um Spitfire, o icônico caça britânico que pertencia aos seus antigos rivais de guerra. O voo, onde ele atuou como copiloto e chegou a assumir os comandos por alguns instantes, foi amplamente coberto por veículos como a rede britânica BBC e interpretado mundialmente como um belo gesto simbólico de superação do passado e reconciliação entre as nações.