Papa Leão XIV afirma que não teme o governo dos Estados Unidos e nega caráter político de suas falas

Papa Leão XIV rebate Trump e reforça missão da Igreja pela paz em meio à tensão no Oriente Médio.

Publicado em 13 de abril de 2026 às 10:23

Papa Leão XIV afirma que não teme o governo dos Estados Unidos e nega caráter político de suas falas
Papa Leão XIV afirma que não teme o governo dos Estados Unidos e nega caráter político de suas falas Crédito: Reprodução/Vatican Media

Em resposta direta às críticas feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Papa Leão XIV afirmou nesta segunda-feira (13) que não teme o governo norte-americano e que continuará defendendo a paz como parte da missão da Igreja Católica. Durante conversa com jornalistas a bordo do avião papal, a caminho da Argélia, o pontífice ressaltou que seus posicionamentos sobre a guerra no Irã e outros conflitos têm base no Evangelho, e não representam um ataque pessoal ao presidente americano.

Leão XIV reagiu após Trump classificá-lo como “fraco” e criticá-lo publicamente nas redes sociais por suas declarações sobre a escalada militar no Oriente Médio. O papa respondeu de forma firme, destacando que sua mensagem não deve ser interpretada no mesmo campo da disputa política. Segundo ele, a função da Igreja é construir pontes de reconciliação e incentivar saídas diplomáticas para evitar novas guerras.

Ao reforçar sua posição, o pontífice declarou que seguirá anunciando a mensagem do Evangelho e convidando líderes e povos a buscarem a paz. A fala ocorre em meio ao aumento da tensão envolvendo o conflito com o Irã, tema sobre o qual Leão XIV já havia feito críticas recentes ao que chamou de “ilusão de onipotência” por parte de autoridades que alimentam confrontos armados.

As declarações do papa ganharam ainda mais repercussão após Trump publicar, no domingo (12), uma série de ataques em sua rede social, afirmando que não deseja um papa que critique a presidência dos Estados Unidos ou que, segundo ele, demonstre complacência com a possibilidade de o Irã possuir armas nucleares. No entanto, não há qualquer registro de que Leão XIV tenha defendido esse posicionamento. Pelo contrário, o Vaticano vem insistindo em soluções diplomáticas e no respeito ao direito internacional.

Mais tarde, já em solo argelino, o pontífice voltou a elevar o tom ao condenar as contínuas violações ao direito internacional, reforçando a preocupação da Santa Sé com os impactos humanitários dos conflitos em curso. A viagem à África, a primeira grande agenda internacional de Leão XIV em 2026, também tem como foco chamar atenção dos líderes mundiais para crises humanitárias no continente e em outras regiões do mundo.

No domingo, antes da reação de Trump, o papa já havia feito um novo apelo por cessar-fogo no Líbano, além de mencionar a guerra na Ucrânia e a crise no Sudão. Em sua mensagem, destacou a obrigação moral de proteger civis, especialmente crianças, idosos e pessoas vulneráveis, diante dos efeitos devastadores da guerra.