Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 08:19
A principal autoestrada que conecta Lisboa ao Porto sofreu um colapso parcial nesta quarta-feira (11), na região de Coimbra, após o rompimento de um dique do rio Mondego. O incidente ocorreu em meio a semanas consecutivas de chuvas intensas que já vinham pressionando rios, barragens e estruturas de contenção em diferentes áreas de Portugal.>
O desabamento foi registrado na localidade de Casais, próximo de Coimbra, depois que o aumento do volume do Mondego comprometeu a margem direita do canal. A força da correnteza provocou erosão na base de um viaduto, levando à queda de parte da pista. A Polícia já havia bloqueado o tráfego no trecho antes do colapso.>
A circulação permanece interrompida nos dois sentidos entre os acessos de Coimbra Sul e Coimbra Norte, sem previsão de reabertura. Equipes técnicas analisam as condições estruturais da área e o risco de novos deslizamentos, enquanto o impacto na mobilidade é considerado significativo, já que a A1 é o principal eixo rodoviário do país.>
Como medida preventiva, mais de 3 mil moradores foram retirados de suas casas na região afetada. A Proteção Civil acompanha o avanço das águas e monitora a situação da barragem da Aguieira, localizada a cerca de 35 quilômetros a nordeste de Coimbra. Segundo o responsável regional, Carlos Tavares, há possibilidade de elevação dos diques caso o volume continue a subir, o que poderia resultar em novas inundações.>
Desde o fim de janeiro, uma sequência de tempestades atinge principalmente o centro e o sul do território português, causando alagamentos, quedas de árvores, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia elétrica. Centenas de milhares de pessoas chegaram a ficar sem luz por vários dias, e pelo menos 15 mortes foram contabilizadas, incluindo vítimas indiretas relacionadas aos temporais.>
Mesmo após a diminuição da força das tempestades anteriores, um fenômeno meteorológico conhecido como “rio atmosférico” voltou a intensificar as precipitações nesta semana. Esse corredor de umidade transporta grandes volumes de vapor d’água dos trópicos, elevando os índices de chuva, sobretudo nas regiões norte e central, e contribuindo para a elevação dos níveis dos rios.>
A situação ocorre em meio a um momento delicado para o governo português. Duas semanas depois da tempestade Kristin, que também deixou mortos e destruição, a então ministra do Interior deixou o cargo na terça-feira (10), sob pressão política e críticas quanto à coordenação das respostas emergenciais. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, declarou que as autoridades operam “no limite da capacidade de conter as águas”.>
Com rios ainda em níveis elevados e previsão de continuidade das instabilidades, o país enfrenta não apenas os danos imediatos das chuvas, mas também os desafios de reconstrução e prevenção diante de eventos climáticos cada vez mais extremos.>