Publicado em 9 de junho de 2026 às 18:56
Um ex-piloto da Air Canada foi acusado de comandar cerca de 900 voos comerciais ao longo de 17 anos usando uma licença falsificada. Geoffrey Wall, de 59 anos, é suspeito de ter atuado como capitão sem possuir a certificação exigida, em um dos casos mais graves de fraude na aviação canadense dos últimos anos.>
De acordo com a Polícia Regional de Peel, Wall ingressou na Air Canada em 1998 e foi promovido a capitão em 2009, momento a partir do qual teria utilizado documentos fraudulentos. Para exercer a função de comandante em voos comerciais no Canadá, é obrigatória a Licença de Piloto de Transporte Aéreo (ATPL), obtida após rigorosos exames teóricos e práticos.>
A fraude foi descoberta durante uma verificação aleatória de certificações realizada no ano passado no Aeroporto Internacional Pearson, em Toronto. As inconsistências encontradas na documentação levaram à abertura de uma investigação pelo Transport Canada, que recebeu o nome de Projeto Ícaro.>
As autoridades estimam que Wall tenha operado centenas de voos domésticos e internacionais em aeronaves Boeing (incluindo modelos 767, 777 e 787), recebendo milhões de dólares em salários durante o período. A polícia descreveu o caso como algo que “parece roteiro de filme”.>
“É como um médico autorizado a atuar como clínico geral que decide realizar cirurgias cerebrais em um hospital”, comparou o vice-chefe da Polícia Regional de Peel, Nick Milinovich. “As exigências de licenciamento existem por um motivo: elas existem para manter as pessoas seguras.”>
Wall foi preso e responde a sete acusações criminais, incluindo fraude acima de 5 mil dólares canadenses, falsificação de documentos, posse de marca falsificada e comunicação falsa às autoridades. Ele foi liberado sob condições e deverá comparecer novamente ao tribunal no final deste mês.>
Em nota oficial, a Air Canada informou que afastou imediatamente o piloto assim que tomou conhecimento das irregularidades e que comunicou voluntariamente o caso ao Ministério dos Transportes. A companhia enfatizou que “a segurança dos passageiros nunca foi comprometida” e que todos os seus pilotos passam por treinamentos obrigatórios a cada seis meses e avaliações periódicas de competência.>
“A licença adequada é uma camada essencial da abordagem de segurança da indústria aérea. A Air Canada trata esse assunto com a máxima seriedade”, declarou a empresa. Uma auditoria interna realizada após o caso não identificou outras irregularidades entre os pilotos da companhia.>
Questionado sobre como a fraude conseguiu durar tanto tempo, o vice-chefe Milinovich explicou: “Alguns fraudadores se tornam muito bons em enganar. Não é incomum que uma fraude continue por muito tempo antes de ser descoberta.”>
Com informações do portal g1>