Polícia turca detém dezenas de ativistas LGBTQIA+ em operação nacional

Protestos resultam em mais de 150 prisões.

Publicado em 16 de setembro de 2026 às 18:41

(As batidas incluíram buscas em residências de ativistas, sedes de organizações e bares frequentados pela comunidade.)
(As batidas incluíram buscas em residências de ativistas, sedes de organizações e bares frequentados pela comunidade.) Crédito: Redes Sociais/X

A polícia da Turquia realizou, a partir do domingo (13), uma série de operações coordenadas contra associações, ativistas e espaços ligados à comunidade LGBTQIA+. A ação, batizada pelo governo de “Minha Família Está Segura”, resultou na detenção de dezenas de pessoas em várias cidades, incluindo Istambul, Ancara, Izmir e Mersin.

Segundo o ministro da Justiça, Akin Gürlek, as investigações envolvem 162 suspeitos, nove associações e 13 empresas em 15 províncias. As autoridades afirmam que a operação tem como objetivo proteger crianças e os valores da família, com base em alegações de facilitação de prostituição, produção e difusão de conteúdo considerado obsceno, inclusive material acessível a menores, e influência indevida sobre jovens em questões de orientação sexual e identidade de gênero.

As batidas incluíram buscas em residências de ativistas, sedes de organizações e bares frequentados pela comunidade. A associação Kaos GL, uma das principais entidades de defesa dos direitos LGBTQIA+ do país, informou que cerca de 50 de seus membros e ativistas foram detidos ou submetidos a procedimentos judiciais. Autoridades locais relataram apreensão de materiais digitais, drogas e outros itens em algumas das ações.

Nos dias seguintes, protestos contra as detenções foram dispersados pela polícia. Em 15 de setembro, mais de 150 manifestantes foram detidos em Istambul (principalmente em frente ao tribunal de Çağlayan) e Ancara, segundo relatos de testemunhas e agências de notícias. Tribunais em diferentes províncias decretaram prisão preventiva para dezenas dos inicialmente detidos.

O governo do presidente Recep Tayyip Erdoğan enquadra a operação no âmbito da “Década da Família e da População”, iniciativa oficial voltada a combater a queda da taxa de natalidade e reforçar a família tradicional. Autoridades reiteram que a ação cumpre o dever constitucional de proteger crianças e a ordem pública.

Organizações de defesa dos direitos LGBTQIA+ e entidades de direitos humanos contestam a operação. Elas classificam as prisões como injustas e cobram a libertação imediata dos detidos, afirmando que se trata de repressão ao ativismo legítimo. Grupos denunciaram ainda o bloqueio de sites e contas em redes sociais de associações e ativistas. A Comissão Europeia e o Comissário de Direitos Humanos do Conselho da Europa expressaram preocupação com os acontecimentos.

Relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo não são crime na Turquia. No entanto, a comunidade LGBTQIA+ enfrenta crescente pressão oficial e restrições a eventos públicos nos últimos anos.

Os processos judiciais seguem em andamento, e o número de pessoas sob custódia continua a ser atualizado conforme as decisões dos tribunais.

Com informações do Jornal Hoje